Em meio à polêmica gerada pela divulgação de uma reunião que manteve anteontem com os seus jogadores, na qual os incentivava a reagir com violência a possíveis provocações do Corinthians na Libertadores, o técnico Luiz Felipe Scolari completa hoje três anos no comando do Palmeiras.
Mesmo após ter levado o time a oito finais, conquistando quatro títulos, Scolari voltou a enfrentar hoje a reprovação de dirigentes do clube, assim como quando assumiu o time, em 2 de junho de 1997 – na época, havia resistência ao seu estilo centralizador.
A diretoria palmeirense achou Scolari antiético ao proferir palavrões, aos gritos, e incentivar seus atletas a darem ‘‘uma catarrada’’ no rosto do atacante corintiano Edílson, a quem chamou de ‘‘cafajeste e covarde’’. A preleção pôde ser ouvida por jornalistas que aguardavam o treino da equipe. O técnico pediu ainda aos seus atletas que tivessem raiva do Corinthians, com quem o Palmeiras vai decidir uma vaga para a final da Libertadores na próxima terça-feira. Os corintianos, que venceram por 4 a 3, têm a vantagem do empate.
Para os dirigentes do Palmeiras, o técnico do Corinthians, Oswaldo de Oliveira, poderá se aproveitar da polêmica criada por Scolari para motivar ainda mais o seu time para essa partida. Oliveira não quis comentar o assunto durante o treino realizado com os titulares, pela manhã, no Parque São Jorge. ‘‘Temos que pensar no São Paulo, o nosso próximo adversário’’, afirmou. Corinthians e São Paulo vão se enfrentar amanhã, em jogo que decidirá uma vaga para a final do Campeonato Paulista.
Os jogadores do Palmeiras afirmaram que não pretendem transformar a segunda partida contra o Corinthians, pelas semifinais da Libertadores, terça-feira, em guerra.
Apesar da bronca que levaram do técnico Luiz Felipe Scolari, que achou o time imaturo e sem garra na derrota de terça-feira para o rival por 4 a 3, a maioria dos atletas garantiu que a equipe não terá um comportamento anormal. Eles acham que o clima quente que deverá envolver o clássico será natural, por causa da rivalidade das equipes e da importância da partida. ‘‘É claro que vamos ter que lutar mais, porque estamos em desvantagem, mas não seremos violentos ou desleais’’, disse Galeano.
Scolari evitou dar entrevistas ontem. Revoltado pelo fato de a reunião que teve com os jogadores ter sido gravada pela TV Globo, e, posteriormente levado ao ar pela emissora, o treinador deixou o CT do Palmeiras sem falar com ninguém. Ele viajou para Natal, onde à noite a equipe do Palmeiras, formada por reservas, enfrentaria o ABC pela Copa do Brasil. Comentou com alguns amigos que se sentiu como se sua casa tivesse sido invadida.
Os jogadores ficaram revoltados com a repercussão das declarações do técnico. ‘‘Foi uma conversa normal entre o treinador e seus atletas’’, disse o zagueiro Argel.

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