Scolari admira Leão, mas quer vencê-lo
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quarta-feira, 02 de junho de 1999
Por Dinoel Marcos de Abreu 
São Paulo, 3 (AE) - Mesmo sem nunca ter trabalhado com Émerson Leão, o técnico Luiz Felipe Scolari considera-se um amigo e admirador do treinador do Santos. Por isso, o técnico do Palmeiras não gosta que falem mal de Leão. "Perto de mim, ninguém fala mal dele", diz o técnico do Palmeiras, que, por razões profissionais, raramente encontra-se com Leão. "É assim que preservo meus amigos, aqueles que eu realmente respeito." Scolari, que no sábado vai enfrentar Leão no clássico entre Palmeiras e Santos, na abertura das semifinais do Paulista, ressalta que começou a gostar de Leão desde os tempos que o treinador da equipe santista era goleiro do Grêmio de Porto Alegre. "Leão era o primeiro jogador a entrar em campo para treinar e o último a sair", lembra Scolari. "E tem mais: o próprio Leão cuidava da sua área, acertando a grama e tampando os buracos, portanto, um profissional muito dedicado, que deveria servir de exemplo a muitos jogadores." A personalidade forte de Leão, a maneira enérgica como defende seu ponto de vista e a disciplina no comando da equipe, são virtudes admiradas por Scolari. O técnico do Palmeiras diz que fica chateado quando ouve comentários sobre o comportamento do técnico do Santos. "Eu realmente torço por ele, para vencer na carreira, porque Leão trabalha sério, faz suas críticas, mas nem sempre é compreendido." O técnico do Palmeiras diz que uma semelhança entre seu modo de trabalhar e o de Leão. Mas não gosta que apontem o técnico do Santos como um dos seus seguidores. "Acho que eu copiei a forma de trabalhar do Leão, porque ele deve ter começado como treinador na minha frente", diz Scolari. "De qualquer forma, ele se parece mesmo como um gaúcho, por isso se Leão tivesse nascido no Rio Grande do Sul estaria bem identificado." Apesar de toda a admiração por Leão, Scolari promete não dar chances para o técnico do Santos ter sucesso no clássico. O Palmeiras tenta recuperar-se da derrota para o Deportivo Cali por 1 a 0, quarta-feira, na Colômbia, pela decisão da Taça Libertadores da América. O treinador palmeirense entende que uma vitória deixará o Alviverde a um passo da disputa do título paulista. O resultado poderá dar mais motivação para a equipe enfrentará o Botafogo, pela Copa do Brasil, e o Deportivo Cali, no jogo de volta, no Palestra Itália. Mas ao contrário do técnico santista, que poderá contar com seus principais jogadores, o treinador do Alviverde não sabe como definir sua equipe. Ele pode poupar alguns atletas, por causa da maratona que o time realiza neste semestre. O Alviverde disputou 46 partidas em 134 dias. "Não tenho tempo nem para treinar mais o time", diz Scolari. "Acho que daqui para frente terei de resolver os problemas na equipe na base do diálogo." O técnico não abre mão do Paulista. Um dos objetivos de Scolari, desde que chegou ao Parque Antártica, em maio de 97, foi tentar ganhar a competição. "É o melhor campeonato regional do futebol brasileiro, por isso, qualquer treinador sente-se orgulho ao ganhar esse título."


