Scolari acredita em classificação
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domingo, 02 de julho de 2006
Das agências 
São Paulo - Após a vitória sobre a Inglaterra, nos pênaltis, e a classificação para as semifinais da Copa do Mundo, o técnico da seleção portuguesa, o brasileiro Luiz Felipe Scolari, acredita que sua equipe poderá agora superar a campanha de 1966, quando os lusitanos também chegaram à essa etapa. ''Foi importante alcançar a final da Europa-2004 e agora a semifinal, mas esperamos atingir um nível mais alto'', afirmou o treinador.
O técnico também comparou o feito obtido neste Mundial com o título conquistado em 2002 à frente da seleção brasileira. ''É mais difícil alcançar uma semifinal com Portugal do que uma final com o Brasil, porque há só 10 milhões de habitantes em Portugal, enquanto no Brasil são 180 milhões'', completou.
Para a partida de quarta-feira, contra a França, em Munique, Scolari deverá contar com as voltas dos meias Costinha e Deco, que cumpriram suspensão. Petit, com o segundo cartão amarelo, será desfalque certo.
Elogios O técnico do Chelsea (Inglaterra), o português José Mourinho, um crítico contumaz do colega Luiz Felipe Scolari, se rendeu à campanha de sucesso do brasileiro na Copa da Alemanha. ''Estive um pouco em desacordo com ele, mas acredito que é um bom técnico para a seleção. Não há muitos treinadores portugueses capazes de levar a equipe como ele conseguiu. Tem méritos mais que suficientes para continuar à frente do time'', disse.
Scolari, que comanda Portugal desde 2003, tem contrato com a federação de futebol do país até o dia 31 deste mês e já afirmou que, a partir de então, estará aberto a propostas.
Mourinho também cometeu a classificação portuguesa sobre a Inglaterra nos pênaltis. Para ele, o lance decisivo foi a defesa de Ricardo na primeira cobrança dos ingleses, de Lampard, que é treinado por Mourinho no Chelsea. ''Quando a equipe rival escolhe o seu melhor cobrador para chutar primeiro e o goleiro o pára, o que ninguém havia conseguido nos últimos dois anos, lhe dá (a Ricardo) muita confiança e, ao mesmo tempo, um duro golpe na autoconfiança dos ingleses'', justificou.
Luvas Herói da classificação portuguesa para a semifinal da Copa do Mundo, o goleiro Ricardo, que defendeu três pênaltis na partida contra a Inglaterra, disse ontem que sentiu a ''falta de confiança'' dos adversários nas cobranças que decidiram o próximo adversário da França na competição. ''Vi nos olhos deles que o gol estava encolhendo. É óbvio que conhecemos um pouco de todos os jogadores que podem bater os pênaltis. Apesar de vermos muitos vídeos e jogos, (este) é um momento especial'', declarou.
Ricardo já havia brilhado contra a Inglaterra nas quartas-de-final da Eurocopa-04, quando, sem luvas, defendeu o pênalti de Darius Vassel e, na sequência, cobrou o pênalti que classificou Portugal para a fase seguinte. ''Desta vez não me passou pela cabeça tirar as luvas. Na Euro-04 foi instintivo. Não estava conseguindo defender nenhum e tinha de fazer alguma coisa. Se houvesse um pênalti (ele era o sexto cobrador do time) para mim estava à vontade para bater'', revelou.
O goleiro, que disse que se concentrou em ''um português pequenino entre muitos ingleses que estavam na arquibancada'' durante a decisão, revelou ainda que recebeu um pedido de Figo antes das cobranças finais. ''Figo disse-me que ia defender dois pênaltis. Agarrei três e depois disse-lhe: dois são para ti e outro para mim'', contou o goleiro do Sporting.
De temperamento tranquilo, Ricardo não esconde que é emotivo. Recentemente, numa solenidade em que Portugal apresentou seus novos uniformes, mostrando um filme com imagens da Eurocopa, o goleiro não conseguiu conter a emoção e seus olhos estavam cheios de lágrimas. Consciente de que o futebol é uma atividade passageira para muitos, ele tem como filosofia a própria essência da função de goleiro: todo esforço será recompensado. Uma lição de vida que aprendeu em casa. ''Aprendi na minha família que você tem que ser honesto, trabalhar com a maior seriedade possível e mostrar dignidade para que eu, meus filhos e minha família, quando olharmos para trás, termos orgulho do que fiz''.


