Curitiba - Um por todos, e todos por um. O famoso lema dos Três Mosqueteiros norteia os passos da família Schwantes, que visa manter, nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, sua tradição de conquistas na esgrima. Para orgulho do pai Ronaldo, dono de duas medalhas nos jogos, os filhos Ivan e Athos representarão o Brasil na competição que acontece no mês de julho.
Praticando uma modalidade pouco difundida no país, em parte devido à dificuldade de acesso aos equipamentos utilizados na prática do esporte, o clã Schwantes é um exemplo de dedicação ao esporte. Vocação que surgiu da paixão de Ronaldo, hoje com 59 anos, pela esgrima. Integrante da equipe brasileira nos Pans da Cidade do México, em 75, de San Juan (Porto Rico), em 79, e de Caracas, Venezuela, em 83, ele conquistou duas medalhas de bronze por equipes. ''No México nos subimos no pódio e eu tenho a medalha até hoje. E na Venezuela herdamos a posição da equipe do Canadá, desclassificada por doping, mas nunca recebemos a medalha'', explica Ronaldo, que se tornou treinador logo em seguida.
E foi na nova atividade que transmitiu aos filhos o amor por espadas, floretes e sabres - as armas clássicas do esporte. ''Eu nunca os forcei a fazer esgrima, mas eles sempre me acompanhavam em competições e acabaram seguindo meus passos'', conta, destacando que o filho mais velho começou a se dedicar ao esporte por volta dos 11 anos, sendo seguido por Athos, o mais novo, que não por acaso tem nome de mosqueteiro. ''Depois de passar por alguns clubes, eles vieram treinar comigo. Eu sempre deixei claro que eles poderiam praticar qualquer esporte, mas teriam que levar a sério'', complementa.
Foi nesta nova fase, iniciada quando Ivan e Athos tinham 15 e 10 anos, que os garotos começaram a demonstrar talento. Sempre entre os melhores do país, aos poucos eles começaram a se destacar também internacionalmente. Até que o caçula, então com 18 anos, representou o país no Pan de Santo Domingo, na República Dominicana, quatro anos atrás, conquistanado a 19 colocação individual na espada. Agora, pela primeira vez os dois irmãos estarão juntos defendendo o Brasil nas provas por equipes e individual (apenas Athos) da espada.
Ivan, que como todo garoto de sua época iniciou no esporte com o florete - arma mais flexível, que só permite ataques no tronco do adversário - optou pela espada pela maior possibilidade de golpear. ''No meu primeiro torneio, quase todos os ataques eram invalidados. Por isso eu me identifiquei com a espada, que permite toques em todo o corpo'', explica.
Destacando como principais rivais as seleções canadense, cubana, norte-americana e venezuelana, Ivan conta com o apoio da torcida. ''Eu e meu irmão trancamos a faculdade e nos mudamos para o Rio, onde nos dedicamos apenas aos treinamentos graças ao apoio da lei municipal de incentivo ao esporte da Prefeitura de Curitiba. Abrimos mão de tudo para lutar por medalha'', conclui.

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