Schumacher vence e é líder disparado
Agência Folha
De Ímola, Itália
Diante dos fanáticos tifosi, Michael Schumacher venceu ontem o GP de San Marino, terceira etapa do Mundial de F-1, disparou na liderança do campeonato e consolidou o início de temporada como o mais bem-sucedido da história da Ferrari na categoria. Com suas vitórias na Austrália e no Brasil, e o segundo lugar de Rubens Barrichello na abertura do Mundial, a escuderia já vivia seu melhor começo de ano.
Ontem, em Ímola, com novo triunfo do piloto alemão e com o quarto lugar de Barrichello, a Ferrari ampliou a façanha. Em três GPs, marcou 39 pontos, o que só havia conseguido em 1961. Naquele ano, porém, seus pilotos haviam vencido apenas duas das três primeiras etapas. Ontem, também marcaram pontos David Coulthard, da McLaren, que chegou em terceiro; Jacques Villeneuve, da BAR, o quinto; e Mika Salo, da Sauber, o sexto.
Schumacher ainda atingiu outro recorde para o time: nunca na F-1 um mesmo ferrarista havia vencido as três primeiras corridas de um campeonato. Espero que os tifosi estejam felizes. Estamos numa posição encorajadora para tentar o título, disse o alemão, agora com 30 pontos na tabela. O segundo colocado, Barrichello, tem 9.
Schumacher enfim teve ontem algo que vinha pedindo desde o início do campeonato: um confronto até o fim com os McLaren. Segundo no grid, atrás de Mika Hakkinen, ele não conseguiu assumir a ponta na largada. Em uma pista onde as ultrapassagens são complicadas, sua tática, então, foi manter-se próximo do rival, esperando um erro.
Enquanto Hakkinen e Schumacher forçavam o ritmo, Barrichello, que passara Coulthard na largada, ficava para trás. Na décima volta, o pelotão da frente já estabelecia mais de dez segundos de vantagem sobre o brasileiro.
Como o finlandês não errou, não quebrou e não deu chances de ultrapassagem, Schumacher e a Ferrari passaram a trabalhar mais para bater a McLaren na estratégia. Foi o que aconteceu. Com duas rodadas de pit stop programadas para a maioria dos pilotos, a escuderia italiana se preparou para dar o bote no final.
Para que tudo funcionasse, Schumacher precisava manter-se grudado em Hakkinen. A tal ponto que, na primeira parada nos pits, os dois entraram e saíram juntos dos boxes. A preocupação ferrarista era impedir que o finlandês abrisse vantagem.
No terço final da prova, quando as indicações era de uma vitória burocrática de Hakkinen, a Ferrari pôs o plano em operação. A idéia era retardar ao máximo a segunda parada. Na 44ª volta, Hakkinen foi para os boxes, e então o alemão começou uma sequência de giros rápidos. As quatro voltas que completou até a sua parada foram mais velozes que o melhor tempo de Barrichello em toda a corrida.
Shumacher entrou nos pits na 48ª volta, quando tinha 21s6 de folga sobre o rival. Aí contou também com a ajuda dos mecânicos ferraristas, 2s8 mais rápidos que os colegas da McLaren. O resultado foi que o alemão voltou à pista à frente de Hakkinen, posições que se mantiveram até o fim da prova, para delírio dos tifosi nas arquibancadas.
Coulthard, que superou Barrichello no último pit stop, completou o pódio em Ímola. Os dez pontos conquistados pela McLaren foram os primeiros da equipe inglesa nesta temporada.
De Bolonha, onde assistiu à prova pela TV, o presidente ferrarista, Luca di Montezemolo, pegou seu helicóptero e foi até Ímola, comemorar com a equipe. Há alguns anos, começamos a reconstruir a equipe. Estou contente porque a Ferrari jamais havia feito a mesma coisa, disse o dirigente da mais tradicional escuderia do planeta, após tirar fotos sentado no chão dos boxes, abraçado aos mecânicos.Com uma estratégia perfeita, alemão supera os rivais da McLaren, ganha a terceira prova consecutiva e leva Ímola ao delírio
France PresseFESTA FERRARISTASchumacher na chegada: nunca na F-1 um piloto da Ferrari havia vencido as três primeiras provas do campeonato





