Michael Schumacher e a Ferrari conquistaram ontem no Grande Prêmio da Hungria o Mundial de Pilotos e de Construtores da Fórmula 1, quatro etapas antes do encerramento da temporada, de forma irretocável: o alemão venceu a prova de ponta a ponta, depois de largar na pole position, e Rubens Barrichello, seu companheiro, classificou-se em segundo. ''Engraçado, tinha um pressentimento de que não ficaria com o título aqui. Só me dei conta de seria campeão mesmo a três voltas do fim, realizei um sonho.''

Não dá para questionar uma conquista quando o campeão, Michael, depois de 13 etapas, venceu sete delas, foi segundo em quatro e somou 94 pontos diante de 51 de seu maior adversário, David Coulthard, da McLaren. Mais: sua equipe, a Ferrari, somou 140 pontos enquanto a segunda colocada, McLaren, apenas 72. ''Procurei me acalmar depois do warm-up (treino realizado no domingo pela manhã), mas logo sai da cama porque estava tenso demais'', disse o alemão.

E esse nervosismo ficou evidente ainda na volta de alinhamento. Michael errou uma freada e, para evitar a zebra que destruiu a McLaren de Coulthard, sexta-feira, foi parar na caixa de brita. ''Vivi momentos de horror. Por sorte os danos no carro foram reparados no grid e depois disso minha Ferrari ficou perfeita de novo.''

O piloto, emocionado como poucas vezes, lamentou não saber expressar melhor seus sentimentos. ''Esse título é de uma equipe única, fantástica. A forma como se trabalha na Ferrari, a atmosfera que existe faz com que cada um dê o máximo de si'', começou falando. ''Logo depois de receber a bandeirada disse pelo rádio que amava a todos, não dá para descrever o que é ser campeão num grupo de pessoas como o que formamos.''

Rubens Barrichello foi homenageado por Michael, que lhe ofereceu o troféu do primeiro colocado. ''Ele merece'', afirmou o alemão. Rubinho manteve David Coulthard, da McLaren, terceiro colocado, atrás de si evitando, talvez, um ataque do escocês a Michael. O prêmio, no entanto, era um agradecimento pelo trabalho nos dois anos juntos.

Quando viu, do pódio, alguns de seus mecânicos com lágrimas no olhos, como ele, Michael confessou: ''Quero dizer que depois da minha família, eles são as pessoas mais importantes para mim. Todos, sem exceção, põem suas vidas nisso.''

Diferentemente dos outros três títulos que conquistou, em 1994 e 1995, pela Benetton, e no ano passado, já na Ferrari, o discurso de Michael foi eminentemente emocional. ''Acho que o beijo que minha filha me deu em casa, antes de viajar, me trouxe sorte'', declarou, mostrando um lado místico até então desconhecido.

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