Schumacher testa na Itália e Rubinho vibra com a chuva
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quinta-feira, 13 de maio de 1999
Por Lívio Oricchio 
Mônaco, 14 (AE) - Sexta-feira em Mônaco pode ser dia de poucas atividades para todas as equipes, menos para a Ferrari. Hoje, Michael Schumacher voou de manhã do Principado para Fiorano, Itália, pista da equipe, a fim de testar o carro que será o seu modelo de reserva na sessão que amanhã define o importante grid da prova, bem como domingo na corrida. Hoje choveu quase o dia todo em Mônaco e a possibilidade de chuva durante a classificação, amanhã, e as 78 voltas do GP são grandes. Rubens Barrichello gostou muito da notícia.
O mau tempo não permitiu que o helicóptero da Ferrari decolasse de Mônaco. O jeito foi Schumacher deslocar-se de carro até o aeroporto de Nice, distante cerca de 30 quilômetros, onde estava estacionado seu jato particular. Meia hora depois ele já pousava em Bolonha, onde outro automóvel o levou a Fiorano, circuito localizado a 50 quilômetros do aeroporto. Às 12:10 Schumacher começou a experimentar a última versão da F399.
O piloto não desmentiu a informação: "Pode ser que o carro tenha mesmo algumas novidades."O chassi testado é o mais recente da série e incorpora avanços em relação aos anteriores. Essa foi a razão de Schumacher ter viajado de Mônaco para a Itália para experimentá-lo. A tendência é a de que esse modelo passe a ser o seu titular já no dia 30, no GP da Espanha, em Barcelona, auxiliando na aproximação da McLaren.
Hoje o alemão completou 13 voltas no traçado de 2.976 metros de Fiorano e seu melhor tempo foi de 1min01s895. O recorde da pista, de 1997, obtido por ele mesmo com pneus slick e não com quatro sulcos, como se usa agora na Fórmula 1, é de 59 segundos e 7 milésimos.
O maior candidato ao lado de Schumacher para conquistar a pole position amanhã, Mika Hakkinen, da McLaren, descansou hoje em casa, ao lado de sua mulher, Erja, informou seu time. O campeão do mundo reside em Mônaco, num apartamento localizado poucos metros atrás do improvisado paddock. Ele vai para a pista usando uma motoneta, a exemplo de outros pilotos que também moram em Mônaco. Na quinta-feira, Hakkinen lamentou o erro da equipe, ao iniciar o treino livre com os pneus extramacios, enquanto a opção pelos macios mostrara-se mais acertada para o circuito.
Rubens Barrichello esfregou as mãos de satisfação ao observar a chuva que começou a cair sobre o Principado antes do almoço. "Não há dúvida de que nossas chances de um bom resultado, que já não são pequenas, aumentam", disse. Em 1997, na sua primeira temporada pela Stewart, Barrichello terminou o GP de Mônaco na segunda colocação, numa corrida disputada sob chuva. Jack Brabham, australiano campeão do mundo em 1959, 1960 e 1966, apontou o brasileiro como uma das possíveis surpresas da prova.
O piloto da Stewart falou hoje do futuro, lembrando que no momento só se interessaria por uma vaga na McLaren ou na Ferrari. "São os únicos carros que vejo, hoje, como superiores ao da Stewart." A possibilidade de chuva também não desagradou Pedro Paulo Diniz, cuja escuderia, a Sauber, cometeu quinta-feira o mesmo equívoco da McLaren com relação à avaliação dos pneus. "Pior do que está não dá para ficar", disse.
Os episódios envolvendo David Coulthard, da McLaren, e os comissários de pista em Ímola tiveram desdobramentos em Mônaco. O escocês os acusou de não terem sinalizado com bandeira azul os retardatários à sua frente, para que perdesse tempo e, com isso, Schumacher saísse na sua frente, depois do segundo pit stop. Essa bandeira, quando agitada, exige que o piloto facilite a ultrapassagem de quem está atrás.
"Deveremos voltar a adotar um acordo que existia no passado, e depois foi abandonado, para evitar esse problemas que aqui em Mônaco é ainda mais sério", contou Barrichello. "Se um retardatário receber bandeira azul em três postos de sinalização e ainda assim não permitir a ultrapassagem, ele terá de cumprir um stop and go nos boxes."
Diante da iminência do anúncio oficial da associação da equipe British American Racing (BAR) com a Honda, o italiano Flavio Briatore fez ameaças explícitas hoje em Mônaco. O ex-diretor da Benetton é proprietário da Supertec, empresa que controla o fornecimento dos motores para a BAR, Williams e Benetton. Esses V-10 são os antigos Renault. "O senhor Craig Pollock (sócio da BAR) pode usar o motor que desejar ano que vem, mas antes terá de pagar pelo contrato já assinado comigo, bem como uma bela indenização."


