Schumacher terá de ajudar Irvine a conquistar o título
Agência Estado
De São Paulo
Agora é oficial: Michael Schumacher terá de trabalhar para Eddie Irvine ser campeão do mundo quando retornar à Fórmula 1, possivelmente no GP da Itália, dia 12 de setembro. A informação é de ninguém menos do presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo. Schumacher deverá respeitar as instituições, não há dúvida, afirmou. O empresário do piloto, Willi Weber, declarou também que Schumacher ficará muito feliz se Irvine for campeão.
A diferença hoje entre Eddie Irvine e Michael Schumacher, na classificação do campeonato, é de 20 pontos. O norte-irlandês tem 52 pontos contra 32 do alemão, quarto colocado. Mika Hakkinen, da McLaren, está em segundo, com 44, e Heinz-Harald Frentzen, da Jordan, em terceiro, com 33. Domingo será disputado o GP da Hungria, 11ª etapa da temporada.
Diante da situação, Montezemolo não teve saída: promoveu Irvine à condição de número 1 da Ferrari, mesmo com Schumacher na pista a partir de Monza. Ele terá de voltar a serviço da equipe, podendo ser até mesmo como segundo piloto, garantiu.
O presidente da Ferrari não fugiu à comparação entre os dois profissionais, sem embutir também uma certa crítica ao alemão. Irvine não tem muitas das qualidades de Schumacher, mas é de relacionamento mais fácil, dotado de grande naturalidade no tato com as pessoas.
O que mais está afastando Irvine da Ferrari são os termos do seu contrato com a escuderia. Ele tem de necessariamente trabalhar para Schumacher. E desde que chegou à equipe italiana, em 1996, não tem feito outra coisa. Por esse motivo é que ele deve deixar a Ferrari, mesmo sendo campeão do mundo. Não faria sentido, por exemplo, Irvine conquistar o Mundial e na próxima temporada, como campeão do mundo, continuar a serviço do alemão.
A prerrogativa de Schumacher pode até atrapalhar o futuro de Rubens Barrichello na Ferrari. O piloto da Stewart já afirmou não aceitar tamanha submissão, enquanto Mika Salo, também candidato à possível vaga de Irvine, não criaria problemas para aceitá-la, já que, tão logo Schumacher regresse, perderá o emprego na Fórmula 1. No confronto entre Barrichello e Salo, não há dúvida de que Schumacher optaria pelo finlandês.
Numa entrevista publicada pelo diário alemão Die Welt, o empresário de Schumacher comentou sobre uma eventual conquista de título de Irvine. Ficaríamos felizes, por ele e a equipe, falou. Mas emendou: Todos, porém, sabem o porquê da Ferrari poder lutar pelo Mundial. Na sequência, Willi Weber se torna mais objetivo: Michael deu novos impulsos à Ferrari com seu talento para organizar o time e sua capacidade de estimular seus integrantes.
Weber não fugiu de responder nem mesmo às críticas da imprensa italiana sobre Schumacher, já que agora o novo herói da Itália é Eddie Irvine, vencedor das duas últimas provas, as que o piloto alemão não pôde participar. Não dá para levar os jornais italianos a sério, essa gente é muito emotiva, ou estão deprimidos ou nas nuvens. E completou: Não faz muito tempo Michael era o rei das pistas.





