Schumacher será o segundo piloto da Ferrari
a partir de Monza. "Ele terá de voltar a serviço da equipe, podendo ser até mesmo como segundo piloto", garantiu. O presidente da Ferrari não fugiu à comparação entre os dois profissionais, sem embutir também uma certa crítica ao alemão. "Irvine não tem muitas das qualidades de Schumacher, mas é de relacionamento mais fácil, dotado de grande naturalidade no tato com as pessoas." O que mais está afastando Irvine da Ferrari são os termos do seu contrato com a escuderia. Ele tem de necessariamente trabalhar para Schumacher. E desde que chegou à equipe italiana, em 1996, não tem feito outra coisa. Por esse motivo é que ele deve deixar a Ferrari, mesmo sendo campeão do mundo. Não faria sentido, por exemplo, Irvine conquistar o Mundial e na próxima temporada, como campeão do mundo, continuar a serviço do alemão. O tema é motivo de rebeldia na Fórmula 1 até mesmo entre empresários de outros pilotos. O finlandês Keke Rosberg, campeão pela Williams, em 1982, responsável pela carreira de Mika Hakkinen, declarou hoje, ao conhecer a posição de Montezemolo, que a Ferrari deve rever sua política. "Agora confio que no fim de 2002, quando termina o contrato de Schumacher, a Ferrari resgate o antigo modelo de desportividade entre os seus pilotos." O compromisso do alemão com o time de Maranello lhe garante todos os privilégios no tratamento da equipe, independentemente do escolhido como companheiro. A prerrogativa de Schumacher pode até atrapalhar o futuro de Rubens Barrichello na Ferrari. O piloto da Stewart já afirmou não aceitar tamanha submissão, enquanto Mika Salo, também candidato à possível vaga de Irvine, não criaria problemas para aceitá-la, já que, tão logo Schumacher regresse, perderá o emprego na Fórmula 1. No confronto entre Barrichello e Salo, não há dúvida de que Schumacher optaria pelo finlandês. Numa entrevista publicada pelo diário alemão "Die Welt", o empresário de Schumacher comentou sobre uma eventual conquista de título de Irvine. "Ficaríamos felizes, por ele e a equipe," falou. Mas emendou: "Todos, porém, sabem o porquê da Ferrari poder lutar pelo Mundial." Willi Weber se torna mais objetivo: "Michael deu novos impulsos à Ferrari com seu talento para organizar o time e sua capacidade de estimular seus integrantes." Weber não fugiu de responder nem mesmo às críticas da imprensa italiana sobre Schumacher, já que agora o novo herói da Itália é Eddie Irvine, vencedor das duas últimas provas, as que o piloto alemão não pôde participar. "Não dá para levar os jornais italianos a sério, essa gente é muito emotiva, ou estão deprimidos ou nas nuvens." E completou: "Não faz muito tempo Michael era o rei das pistas."Por Livio Oricchio São Paulo, 09 (AE) - Agora é oficial: Michael Schumacher terá de trabalhar para Eddie Irvine ser campeão do mundo quando retornar à Fórmula 1, possivelmente no GP da Itália, dia 12 de setembro. A informação é de ninguém menos do presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo. "Schumacher deverá respeitar as instituições, não há dúvida", afirmou. O empresário do piloto, Willi Weber, declarou também que Schumacher "ficará muito feliz" se Irvine for campeão. A diferença hoje entre Eddie Irvine e Michael Schumacher, na classificação do campeonato, é de 20 pontos. O norte-irlandês tem 52 pontos contra 32 do alemão, quarto colocado. Mika Hakkinen, da McLaren, está em segundo, com 44, e Heinz-Harald Frentzen, da Jordan, em terceiro, com 33. Domingo será disputado o GP da Hungria, 11ª etapa da temporada. É provável que Irvine e Hakkinen se distanciem ainda mais de Schumacher na luta pelo título, o que deve ocorrer também na corrida de Spa, na Bélgica, dia 29. Diante da situação, Montezemolo não teve saída: promoveu Irvine à condição de número 1 da Ferrari, mesmo com Schumacher na pista





