declarou hoje o singelo e modesto piloto alemão. "Não sei como a corrida irá se desenvolver, mas vou para a Malásia para ajudar a equipe e Eddie serem campeões." Aos 30 anos, pai de dois filhos, bicampeão do mundo, bilionário e senhor feudal da Ferrari, com boa probabilidade Schumacher não imaginava que o "rei", também pressionado por quem o financia, poderia agir com tanta energia, capaz até de tomar-lhe "as terras" caso não se sensibilizasse com a causa da Ferrari, há 20 anos sem título. No treino de hoje, iniciado às 9h30, o piloto completou 34 voltas em Fiorano (101 quilômetros). O objetivo era testar os tipos de pneus que serão utilizados em Sepang. Sua excepcional marca de 1min00s942, quebrando o recorde de quinta-feira, dele mesmo, 1min01s190, deve relacionar-se ao uso dos pneus extramacios, opção da Bridgestone para a corrida da Malásia. À tarde, a Ferrari molhou a pista, já que a previsão para a prova é de chuva nos três dias, e Schumacher percorreu a pista mais 43 vezes (127 quilômetros). Seu melhor tempo não é conhecido. Ausente seis etapas do Mundial, Schumacher é o sexto colocado na classificação, com 32 pontos. Está fora da luta pelo título. A disputa deve polarizar-se entre o líder da temporada, Mika Hakkinen, da McLaren, 62 pontos, e Eddie Irvine, 60. Dois outros pilotos têm chances de serem campeões: Heinz-Harald Frentzen, da Jordan, 50 pontos, e David Coulthard, McLaren, 48. Depois da prova de Kuala Lumpur restará apenas o GP do Japão, dia 31, em Suzuka.Por Livio Oricchio São Paulo, 08 (AE) - Como que num passe de mágica, Michael Schumacher concluiu, hoje, estar novamente em condições físicas de voltar a correr e a Ferrari já anunciou: o piloto alemão retorna no GP da Malásia, dia 17. Para comprovar que os quase três meses de ausência das competições não lhe roubaram nenhum milésimo de segundo, Schumacher quebrou hoje, pela segundo dia consecutivo, o recorde do circuito de Fiorano, com a marca de 1min00s942. "Já não sinto os efeitos do acidente, estou melhor do que esperava", afirmou. Talvez seja a benção do Papa João Paulo II, quarta-feira no Vaticano. Ou, quem sabe, os poderes terapêuticos, até então desconhecidos, de um dedo em riste do presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, na mesma quarta-feira santa, em Maranello. Não está bem claro ainda o que foi capaz de fazer Schumacher mudar de idéia em tão pouco tempo. Domingo, mesmo recebendo em Paris "sinal verde" do médico que o cuidou, o conceituado ortopedista francês Gerard Saillant, o alemão surpreendeu a todos ao oficializar que não mais correria na temporada. "Admito que me apressei um pouco e depois me lamentei", disse ontem Schumacher. Descansando num hotel do Dubai, Emirados árabes Unidos, numa escala do seu vôo para a Malásia, já que seu Falcon 10 não tem autonomia para se deslocar direto da Europa para a ásia, Eddie Irvine comemorou a decisão, provavelmente compulsória de Schumacher: "Fantástico, era aquilo que eu queria", falou. "Desculpe, toda a equipe desejava", corrigiu. "Seremos fortíssimos em Sepang (circuito de Kuala Lumpur), a McLaren que se cuide", expressou. Irvine parece ter retocado a frase a tempo, quando disse que toda a escuderia aguardava a volta de Schumacher. "Pretendo colaborar com meu grão de areia para que a Ferrari seja campeã"

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