Depois de quebrar, ano passado, a série de 21 anos sem título da Ferrari, o desafio de Michael Schumacher com o novo modelo italiano, F2001, apresentado ontem em Maranello, será agora ainda maior: tornar-se bicampeão pela Ferrari. Em 51 anos de história da equipe na Fórmula 1, apenas Alberto Ascari conseguiu tal feito, nas temporadas de 1952 e 1953. ‘‘Estou mais motivado do que nunca’’, disse o piloto alemão.
Conforme o próprio diretor-técnico da Ferrari já vinha afirmando, a F2001 é uma ‘‘evolução e não uma revolução’’, se comparada ao carro do ano passado, vencedor dos mundiais de pilotos e de construtores. As semelhanças entre os dois modelos é bastante grande. A Ferrari de 2001 se diferencia da de 2000 apenas nos detalhes. O que tem a sua lógica na Fórmula 1, já que a equipe venceu dez das 17 etapas da última temporada.
‘‘Forza Ferrari’’ foi o que afirmou Schumacher no fim do seu breve discurso, em italiano, para o delírio de 500 torcedores convidados para acompanhar o lançamento da F2001, sob uma enorme tenda, dentro da área da fábrica. É a primeira vez que a Ferrari autoriza a torcida a participar da cerimônia. Para o alemão, a vitória desta vez deverá ser ainda mais difícil que no ano passado. ‘‘Penso que a McLaren será nosso maior adversário, mas outros times, como Williams e Jordan, devem lutar conosco pelo primeiro lugar em algumas provas.’’
Já o presidente da empresa, Luca di Montezemolo, agradeceu todo o apoio recebido dos ‘‘tifosi’’ no período em que a equipe apenas lutava pelo título. ‘‘Minha resposta a essa gente é que hoje dispomos de todos os recursos, técnicos e humanos, para conquistar outro campeonato’’, garantiu. ‘‘Foi difícil para eu saber, durante bons anos, antes do campeonato começar, que nosso time não podia lutar pelo título, mas dizer a essa gente que acreditava na vitória.’’
Rubens Barrichello gostou do novo carro da Ferrari, mas adiantou: ‘‘Quando se parte de uma base boa como a que tínhamos para produzir um novo modelo, a tendência é que ele seja igualmente eficiente, mas represente apenas um pequeno salto à frente em relação ao anterior.’’ Rubinho comentou que este ano, mais relaxado, poderá produzir mais. Em 2000 ele venceu um GP. ‘‘Cometi o erro de querer de todas as formas vencer o Michael no princípio e isso me atrapalhou’’, explicou o brasileiro. ‘‘Agora, não faço nenhuma projeção para não me cobrar depois.’’
A não ser pelas alterações impostas pelas regras técnicas deste ano, como a elevação do aerofólio dianteiro em cinco centímetros, a F2001 é o desenvolvimento dos conceitos adotados na F1-2000. Isso pode ser avaliado pelas mesmas dimensões de distância entre-eixos, bitola traseira e altura dentre os dois carros. Mais: a arquitetura do motor é igual e o câmbio, o mesmo. Não é tudo: vale para a F2001 toda a fluido-dinâmica, estudo do ar que passa sob, por dentro e sobre o veículo, do modelo F1-2000. O bico é novo e lembra o da McLaren do ano passado, com a ponta voltada para baixo. Os testes começam hoje, com Michael Schumacher, em Fiorano.

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