Schumacher perde o vice-campeonato
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de novembro de 1997
Livio Oricchio Agência Estado 
France PresseEm casaMichael Schumacher e Jean Todt, diretor esportivo da Ferrari Numa das reuniões mais cínicas da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), ontem em Londres, Michael Schumacher acabou saindo praticamente impune da acusação de causar o acidente com Jacques Villeneuve, em Jerez de La Frontera, na decisão do Mundial. O mais incrível é que o veredito foi culpado. O Conselho Mundial da FIA apenas retirou do piloto alemão o título de vice-campeão da temporada. O exemplo está aí para que todos vejam que não estamos brincando, disse o presidente da entidade, Max Mosley, ao mesmo tempo em que a maioria dos jornalistas ria na sua cara.
A partir de agora todos os pilotos podem fazer o que bem entenderem nos circuitos da Fórmula 1. Essa é a mensagem deixada pela FIA ao não punir Schumacher por ter tentado colocar Villeneuve para fora da pista na 48ª volta do GP da Europa, dia 26 de outubro. Ele não agiu premeditadamente, mas instintivamente, argumentou Mosley. Suspendê-lo na próxima temporada não traria os efeitos desejados, comentou. Além de ter seus pontos cancelados, o piloto da Ferrari terá de ser também, como parte da pena, o garoto-propaganda da campanha sobre segurança que a FIA patrocinará na Europa, ano que vem.
Como ator do Ato dois da peça, Schumacher classificou como muito dura a decisão da FIA. Estou decepcionado por perder o vice-campeonato, mas aceito a decisão, afinal cometi um erro, afirmou. Reclamando que pela primeira vez perdera o sono à noite, o alemão reconheceu ter errado em Jerez. Não sou nenhum super-homem, tampouco um idiota, minha reação para evitar a ultrapassagem foi instintiva. Para Mosley, se Schumacher tivesse tido mais um ou dois segundos para pensar, não agiria daquela forma, já que ele teria mais para frente na corrida uma chance de reconquistar a liderança. Schumacher recordou sua relação amistosa com Villeneuve, como forma de tentar justificar que não agiu de forma pensada.
Tudo o que desejava ao deixar o Royal Automobile Club hoje, segundo falou, era sair de férias para relaxar do desgaste dos últimos dias. No futuro pilotarei de maneira diversa, já decidi, aprendi bastante com tudo o que passei. Já no Ato três das apresentações, ainda que de Viena, o assessor do presidente da Ferrari, o ex-piloto Niki Lauda, deu tom dramático à pseudopena de Schumacher. É brutal, me surpreende a firmeza da decisão, declarou. Ele disse estar preocupado com o futuro da F-1 se novas medidas duras como a de hoje forem tomadas novamente. As pessoas podem deixar de se interessar por essas competições, reações exemplares como a de hoje inibem manobras espetaculares nas pistas.
O grand finale do espetáculo ratificou a força política da equipe italiana, a única com um representante na reunião de 24 membros do Conselho Mundial da FIA, ontem, por ser a mais antiga da F-1. Jean Todt, diretor esportivo da Ferrari, disse que a perda do vice-campeonato foi difícil para Schumacher. Nós o ajudaremos oferecendo-lhe um bom carro para que em 98 e, quem sabe, também em 99, lute pelo título. Como prova da força da Ferrari, enquanto seu piloto perdia o título de vice, a equipe mantinha-se na segunda colocação entre os Construtores.
Os pontos perdidos por Schumacher (78) não são estensivos à Ferrari, como se ele não pilotasse para a organização italiana. Com a desclassificação de Schumacher, todos os pilotos que estavam abaixo dele sobem uma posição no resultado final. Assim, outro alemão, Heinz-Harald Frentzen, companheiro de Villeneuve na Williams, é agora o novo vice-campeão do mundo. Rubens Barrichello pula de 14º para 13º e Pedro Paulo Diniz de 17º para 16º. Para efeito de estatística, contudo, continua valendo tudo o que Schumacher conquistou este ano (cinco vitórias, três segundos lugares, dois quartos, um quinto e dois sextos).


