Ímola, 02 (AE) - O que mais os fanáticos torcedores da Ferrari poderiam desejar? Michael Schumacher venceu a corrida "da casa", depois de 16 anos (a última vitória da Ferrari em Ímola foi em 1983, com Patrick Tambay) e ainda assumiu a liderança do Campeonato Mundial de Pilotos e a equipe o de Construtores.
As mais de 100 mil pessoas que hoje estavam no autódromo Enzo e Dino Ferrari fizeram uma festa à italiana. Schumacher foi o regente. Enquanto o hino da Itália era tocado no pódio, o piloto alemão regia as milhares de pessoas que havia invadido a pista e cantavam. "É maravilhoso olhar a alegria desse gente em suas faces", disse um contagiado Schumacher.
"é incrível que o ponto de virada no campeonato tenha sido bem aqui, onde eu mais queria." Mais uma vez ele atribuiu grande parte da conquista à equipe. "Nosso grupo trabalhou dia e noite e o resultado está aí." A diminuição da diferença para a McLaren, sua única adversária, mereceu análise.
"Estamos bem mais próximos deles, na classificação e em corrida, não há mais dúvida alguma." O começo de temporada foi bem diferente do imaginado. "Sofremos bem mais do que poderia supor na Austrália e no Brasil, mas agora nossas perspectivas são excelentes e estamos ainda na quarta etapa do campeonato." Mônaco deve favorecer também o seu carro, prevê.
A vitória em Ímola, contudo, não foi fácil. Primeiro Schumacher contou com um erro de pilotagem de Mika Hakkinen, da McLaren, líder até a volta 17. "Não há desculpas, entrei forte demais sobre aquela zebra, o carro me fugiu ao controle e bati"
afirmou o finlandês, campeão do mundo. O adversário de Schumacher passou a ser o companheiro de Hakkinen, o escocês David Coulthard, novo líder, programado para fazer uma parada apenas no box, como o alemão, em princípio. "Nós tínhamos de ousar na estratégia, caso contrário seria difícil ultrapassar Coulthard." A mudança de planos ocorreu pouco antes do seu primeiro pit stop, na volta 31 (a corrida teve 62). "Decidimos colocar pouca gasolina para eu voltar em primeiro, mas depois teria de abrir pouco mais de 20 segundos para uma nova parada." David Coulthard atacou duramente os retardatários, que teriam prejudicado mais o seu ritmo que o de Schumacher. Segundo ele, essa foi a razão de o alemão da Ferrari conseguir abrir até a 45ª volta, quando fez seu segundo pit stop, 23,5 segundos de vantagem, tempo suficiente para lhe dar a liderança quando retornou a pista.
"Nossas chances de vitória terminaram com o comportamento de certos pilotos", comentou Ron Dennis, sócio da McLaren, referindo-se a Olivier Panis. E emendou: "Estou decepcionado com a falta de esportividade de seus dirigentes", numa clara referência a Alain Prost, a quem chegou procurar durante a corrida para reclamar do tempo perdido de Coulthard atrás do francês.
Depois de ficar um segundo e três décimos atrás de Hakkinen no grid da Austrália, um segundo no Brasil e um décimo em Ímola, numa prova de que o carro da McLaren era e ainda é mais rápido que o da Ferrari, Schumacher lidera o Mundial e a Ferrari o Campeonato dos Construtores.
O alemão tem agora 16 pontos, e seu companheiro, Eddie Irvine (abandonou hoje, com problemas no motor) está em segundo, com 12. Mika Hakkinen soma 10, em terceiro, e Coulthard 6, em quinto, junto com Rubens Barrichello. A Ferrari somou em três etapas 28 pontos contra 16 da McLaren.

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