Schumacher, Irvine e Ferrari fazem a festa em Mônaco
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sábado, 15 de maio de 1999
Por Livio Oricchio 
Mônaco, 16 (AE) - O que os fãns da Ferrari poderiam desejar mais? Michael Schumacher venceu hoje, com enorme facilidade, o GP de Mônaco, e Eddie Irvine, seu companheiro de equipe, terminou em segundo. Mais: Schumacher lidera o Mundial com 26 pontos, Irvine é o vice, com 18, enquanto o campeão do mundo, Mika Hakkinen, da McLaren, terceiro colocado hoje, somou até agora apenas 14 pontos. A Ferrari está em primeiro também entre os Construtores, com 44 pontos, mais que o dobro dos conquistados pela McLaren, 20. Mas Schumacher já advertiu: "Parte dessa vantagem toda pode ser descontada nas próximas duas ou três etapas do campeoanto."
O piloto alemão sabia que se Hakkinen contornasse em primeiro lugar a curva Saint Devote, logo depois da largada, suas chances de ganhar a prova seriam pequenas. Por isso arriscou. E deu certo. "Uma das razões de eu ter viajado na sexta-feira para Fiorano foi para treinar largadas", confessou Schumacher. O clima dentro da escuderia de Maranello era de êxtase. Piloto jogava champanhe em piloto, mecânicos, assessores de imprensa, auxiliares em geral, cozinheiros, e todos, junto dos técnicos, davam banho de água, vinho, em quem vissem pela frente. Valeu de tudo no paddock para comemorar a dobradinha na quarta etapa do campeonato. Parecia que a Ferrari finalmente quebrara o tabú de 20 anos sem título de pilotos na Fórmula 1.
Mais tarde um pouco, Schumacher lembrou: "Temos uma série de novidades para experimentar nos testes desta semana em Barcelona
creio que seremos bem competitivos, mas não estranharei se terminar a próxima corrida em segundo ou até mesmo no terceiro lugar." Apesar de o alemão ter declarado várias vezes que a Ferrari F399 é um carro melhor que o MP4/14 da McLaren, talvez no fundo nem ele mesmo acredite nisso. Tudo deve ter sido parte de um jogo psicológico para atingir Hakkinen. Antes de Mônaco, ele batera sozinho em Ímola, quando liderava, e parecia estar sentindo o golpe da vitória de Schumacher no GP de San Marino.
Disse bem, o presidente da Ferrari SpA, Luca di Montezemolo: "Hoje demos uma demonstração de superioridade", destacando o "hoje". O diretor esportivo do time italiano, o francês Jean Todt, recordou que a Ferrari ganhou apenas o primeiro quarto do Mundial. O calendário prevê mais 12 etapas. E a próxima é dia 30
no Circuito da Catalunha, em Barcelona. "Para disputarmos a vitória com a McLaren nessa pista vamos ter de desenvolver bastante a nossa aerodinâmica", advertiu Irvine.
Sobre a corrida, Schumacher comentou que tudo ficou muito mais fácil depois de ganhar a posição de Hakkinen na largada. "Pude impor o ritmo que desejava para nossa estratégia dar certo." Ele pretendia abrir o máximo possível de vantagem no início. A ultrapassagem de Irvine sobre David Coulthard, o outro piloto da McLaren, terceiro no grid, também na largada, contribuiu para o sucesso dos italianos. Coulthard, em quarto, abandonou com problemas no câmbio. Irvine ganhou a segunda posição de Hakkinen nos boxes, porque optou por duas paradas contra apenas uma do finlandês. O desequilíbrio do carro da McLaren colaborou muito também para que o planejamento da Ferrari desse certo.
"Ser piloto da Ferrari já representa algo especial, vencer aqui é ainda melhor e ser agora o piloto com o maior número de vitória nessa equipe é algo que levarei comigo para o resto da vida", confessou Schumacher. Hoje ele atingiu a marca de 16 vitórias pela Ferrari, desde a sua estréia na temporada de 1996. O alemão superou o austríaco Niki Lauda, que de 1974 a 1977 ganhou 15 GPs com o time de Maranello. Schumacher tem agora 35 vitórias na Fórmula 1. Está em terceiro entre os que mais venceram. Alain Prost é o lider do ranking, com 51 vitórias, e Ayrton Senna, o segundo, com 41.
A quarta colocação no GP de Mônaco ficou para Heinz-Harald Frentzen, da Jordan, enquanto Giancarlo Fisichella, da Benetton, foi quinto e Alexander Wurz, também da Benetton, terminou em sexto. Rubens Barrichello bateu na 72 volta, de um total de 78, depois de a suspensão da sua Stewart quebrar. Ele era o quinto colocado. Pedro Paulo Diniz abandonou na 49.a volta por causa de uma saída de pista, provocada pelo bloqueio dos freios traseiros.


