Schumacher faz rota contraditória fora da pista
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sexta-feira, 08 de outubro de 1999
Por Livio Oricchio 
São Paulo, 09 (AE) - Dia 11 de julho de 1999, autódromo de Silverstone, Inglaterra: Michael Schumacher fratura a tíbia e a fíbula da perna direita na primeira volta do GP da Grã-Bretanha. Dia 8 de outubro de 1999, circuito de Fiorano, Itália: 89 dias depois das mais variadas e desencontradas informações, o piloto alemão, sob enorme pressão, anuncia que dia 17 guiará sua Ferrari no GP da Malásia. O retrospecto cronológico dos acontecimentos que cercam o piloto nesse período reflete as enormes contradições das versões oficiais para explicar sua ausência das pistas.
No dia 12 de julho, os médicos que operaram Schumacher no General Hospital de Northampton, Inglaterra, informam que ele necessitaria de seis a oito semanas para recuperar-se. Mas 39 dias após a redução cirúrgica das fraturas, 20 de agosto, o alemão impressiona a todos na Fórmula 1 ao completar 65 voltas no circuito de Mugello, distância equivalente a 341 quilômetros, enquanto um GP tem, em média, 305 quilômetros. Sua marca, 1min28s379, é melhor que a de Eddie Irvine, registrada dias antes, 1min28s648. Sua presença no GP da Bélgica, nove dias mais tarde, era tida como certa. Os médicos, no entanto, desaconselham sua volta.
Dia 1.º de setembro, 12 depois do excelente teste de Mugello, Schumacher treina em Monza visando disputar o GP da Itália, dia 12. Tudo o que ele consegue completar são 24 voltas. "Depois da quinta passagem pelos boxes as dores na minha perna direita eram insuportáveis", diz o piloto, surpreendentemente. O teste é cancelado e Schumacher não corre em Monza, para a decepção de milhões de torcedores. A prova já estava no limite das oito semanas previstas pelos médicos. Quando o piloto anuncia que estaria de fora também da prova de Nurburgring, dia 26, os sentimentos ganham tom de revolta.
Dia 3 de outubro, o especialista francês Gerard Saillant dá, em Paris, "sinal verde" para o seu retorno. Schumacher causa espanto ao afirmar que não disputaria as duas provas finais do campeonato, alegando "falta de condições físicas." Dois dias mais tarde, o piloto é escalado por Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, para um teste em Mugello, contra a sua vontade. Schumacher completa 69 voltas (362 quilômetros) e melhora a marca de Irvine: 1min27s28 contra 1min28s02. Montezemolo o chama para uma conversa em Maranello, no dia seguinte.
Com muita probabilidade o dirigente não aceita a recusa do seu piloto e o obriga a assumir o carro da Ferrari nas corridas decisivas de Kuala Lumpur e Suzuka. Mais: comunica a Schumacher que ele treinaria quinta e sexta-feira em Fiorano. Nos dois dias o alemão bate o recorde da pista do modello F399. No final do teste da sexta-feira, espanta a todos ao afirmar: "Não sinto mais os efeitos do acidente de Silverstone, estou melhor do que pensava." Na sequência, diz: "Quero ajudar a equipe e Eddie Irvine serem campeões." O que se questiona agora é se, de fato, cumprirá as ordens da Ferrari. Seria uma saída honrosa para o bicampeão do mundo.


