Indianápolis - Nas arquibancadas, o torcedor não aguentou. Diante do espetáculo que (não) acontecia à sua frente, arremessou uma lata de cerveja na pista de Indianápolis. Foi a imagem da corrida. A nona etapa do Mundial de F-1 foi um GP triste, adjetivo usado por todas as partes envolvidas, dos 14 pilotos que se negaram a largar aos seis que correram e cruzaram a linha de chegada.
Orientadas pela Michelin, que não garantia a segurança de seus pneus no circuito americano, as sete equipes que utilizam seus compostos abandonaram a prova depois da volta de apresentação.
Um a um, os pilotos da Renault, McLaren, Williams, Toyota, Sauber, BAR e Red Bull retornaram aos boxes em vez de alinharem no grid. Para lá foram apenas Ferrari, Jordan e Minardi. E as três fizeram o GP dos EUA. A vitória foi de Michael Schumacher, a primeira em dez GPs, encerrando um jejum de 251 dias. Rubens Barrichello ficou com a segunda colocação e Tiago Monteiro, da Jordan, foi o terceiro.
Como nem Kimi Raikkonen nem Fernando Alonso pontuaram, o resultado é que o alemão assumiu o terceiro lugar no Mundial, reduziu de 13 para três pontos a desvantagem para o finlandês e entrou na luta pelo título.
Pneus Mas o esporte, hoje, em Indianápolis, ficou em segundo plano. Minutos antes da largada, os próprios pilotos não sabiam dizer se a corrida aconteceria. ''A Michelin já falou que não garante a nossa segurança. Vamos largar e seja o que Deus quiser'', afirmou Ricardo Zonta, que substituiu Ralf Schumacher, na Toyota.
O acidente com o alemão, na sexta, foi o estopim para o maior imbróglio da F-1 nas últimas décadas. Ralf bateu a mais de 305 km/h contra o muro depois que seu pneu traseiro esquerdo ''desmanchou'' na última curva do circuito.
Praxe em casos como esse, a Michelin recolheu os restos do pneu para análise. Receosa de que mais pneus estourassem na corrida, colocando em risco a vida dos pilotos, a empresa montou então uma operação de guerra, em duas frentes.
Na Europa, carregou um jumbo com compostos que estavam prontos para testes e o despachou para Indianápolis. Nos EUA, tentou convencer a FIA a abrir uma exceção no regulamento e permitir o uso desses novos pneus a regra estipula que os carros precisam largar com os compostos do treino oficial.
Diante da negativa da entidade, suas sete equipes pediram, então, a colocação de uma chicane antes da última curva. Os dirigentes, mais uma vez, negaram. A resposta das equipes veio na volta de apresentação.

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