Mônaco - Os ensinamentos com o ocorrido na Áustria foram grandes, disseram ontem Rubens Barrichello e Michael Schumacher, da Ferrari, preocupados com a reação do público, hoje, durante a realização dos primeiros treinos livres do GP de Mônaco, sétima etapa do Mundial. ‘‘Claro que, agora, iremos discutir antes o que fazer na pista’’, disse o brasileiro que hoje completa 30 anos. Já Schumacher contou ter se sentido sozinho em Spielberg e que ‘‘quando o jogo está duro’’, referindo-se ao bom momento de Barrichello, ‘‘os duros se manifestam’’, pretendendo dizer que as excepcionais performances do companheiro terão uma resposta.
Parte significativa da imprensa, representando o pensamento de milhões de cidadãos no mundo todo, desejava saber de Barrichello, ontem, se domingo, dependendo da colocação na prova, agirá como na Áustria, quando deixou Schumacher vencer. O piloto foi evasivo. ‘‘Não quero pensar nisso. Sempre entro no meu carro com o objetivo de ganhar a corrida. Vamos aguardar e ver como as coisas irão se desenvolver.’’
No fundo, o piloto tem consciência de que se a situação de Spielberg se repetir, terá de novo de ‘‘trabalhar em equipe.’’ Mas Barrichello não desiste: ‘‘Minha hora na Ferrari está chegando. Neste instante o que devo fazer é cumprir ordens, não desperdiçar a chance de pilotar para a Ferrari e continuar determinado.’’
O minuto de vaia que os jornalistas lhe ofereceram na Áustria seguido de novas vaias, da torcida, quando deixou a sala de imprensa, parecem ter afetado Schumacher. ‘‘As pessoas esquecem-se de que já conquistei muita coisa sozinho na Fórmula 1. Senti-me completamente só naquele momento.’’
A ameaça de perder os pontos da corrida, por ter ocupado lugar que não era seu no pódio não o preocupa. ‘‘Desloquei Rubens para o primeiro lugar, assim como lhe dei o troféu do vencedor porque de fato ele foi, para mim, o vencedor.’’
Dois outros brasileiros disputam a 60ª edição da mais tradicional etapa do calendário. Felipe Massa, da Sauber, faz sua estréia nos desafiantes 3.370 metros do traçado, sem esconder que pistas lentas e travadas, como a do principado, nunca foram sua grande paixão. Enrique Bernoldi, da Arrows, espera não ter de passar por experiência semelhante à do ano passado, quando segurou, legalmente, atrás de si, por 28 voltas, o escocês David Coulthard, da McLaren, que largou em último em razão de um problema no carro na largada.
Existe a possibilidade de chuva no fim de semana. Ontem à noite a temperatura, 17 graus, era mais baixa da normal nessa época, e ventava forte em Mônaco.

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