As declarações de Max Mosley, presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), quarta-feira na Alemanha, surtiram o efeito desejado: a equipe Williams retirou ontem seu recurso contra a suspensão de Jacques Villeneuve no GP do Japão, menos de 24 horas depois do comentário do dirigente. Mosley disse que se o apelo fosse mantido, eram grandes as chances de Villeneuve ser suspenso por duas corridas, o que faria com que ele não participasse também do GP da Europa, última e decisiva etapa do Mundial, dia 26 em Jerez de la Frontera, Espanha. Com a desistência de recorrer, a liderança do campeonato passa agora para Michael Schumacher: 78 a 77.
A reação de Frank Williams já era esperada. Ele sabe que não teria possibilidade alguma de manter os dois pontos do quinto lugar de seu piloto na prova de Suzuka. A acusação dos comissários procede. O próprio Villeneuve afirmou não ter mesmo diminuído a velocidade quando lhe foi exposta a bandeira amarela no treino livre de sábado. Além disso, Frank Williams compreendeu bem a mensagem de Mosley: o tribunal que iria julgar o apelo, terça-feira em Paris, tiraria o canadense da corrida de Jerez também, permitindo a Michael Schumacher e a Ferrari comemorarem o título antecipadamente.
Com a desclassificação do piloto da Williams, Jean Alesi, da Benetton, passa do sexto para o quinto lugar no GP do Japão, bem como Johnny Herbet, da Sauber, ganha um ponto com a sexta colocação. Ele era o sétimo. Os demais pilotos sobem também um lugar no resultado da prova.
O Mundial que tudo indicava ficaria com Villeneuve ganhou novo rumo no Japão. Agora quem tem a vantagem é Michael Schumacher. A matemática lhe favorece, por ter um ponto a mais na classificação, mas é sua reconhecida frieza nesses momentos de decisão que pode jogar a seu favor. Se os dois marcarem pontos, será campeão quem chegar na frente do outro. Se os dois não terminarem entre os seis primeiros, o alemão comemorará seu terceiro título. Se terminarem empatados, o canadense leva a taça pelo maior número de vitórias.
Os dois segundos pilotos da Ferrari e da Williams, Eddie Irvine e Heinz-Harald Frentzen, serão figuras determinantes na conquista do campeonato, como foi Irvine na etapa de Suzuka, em que deliberadamente segurou Villeneuve enquanto Schumacher se distanciava do adversário.
Na sua coluna de ontem no Daily Telegraph, jornal inglês, Irvine criticou Villeneuve. ‘‘Para quem teve sempre o carro mais rápido, ele não merece o título, cometeu erros demais’’, escreve. Disse ainda que em Jerez fará todo o possível, dentro da legalidade, para Schumacher ser campeão. ‘‘Certamente não porei Villeneuve para fora, mas vou me colocar à sua frente sempre que possível’’.
Fim de carreiraO austríaco Gerhard Berger, de 38 anos, piloto da equipe Benetton, abandonará sua carreira na Fórmula 1 - dez vitórias entre 86 e 97 (210 corridas) - no GP da Europa, em Jerez de la Frontera, na Espanha, última etapa da temporada, que será disputada no próximo dia 26. O piloto anunciará sua retirada hoje, em uma entrevista coletiva em Viena.

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