Schumacher é o melhor, diz Piquet
São Paulo, 21 (AE) - A contratação de Rubens Barrichello pela Ferrari abriu a perspectiva de o Brasil voltar a vencer na Fórmula 1. Mas é grande a dúvida com relação ao que ele poderá fazer na equipe italiana, tendo ao lado o melhor piloto do mundo
Michael Schumacher. Enquanto Nelson Piquet acha que Rubinho, se quiser ter alguma chance, tem de fazer macumba "para o alemão machucar a perna de novo", o ex-piloto Gerhard Berger, acha que Schumacher terá "uma surpresa" com a capacidade do brasileiro.
Piquet diz saber o que fala, pois já dividiu o time com Schumacher: disputaram cinco provas pela Benetton, em 1991, quando o alemão estreou na F-1. Em corrida, a vantagem ficou com Piquet, que somou seis pontos diante de quatro de Schumacher. Em treinos classificatórios, o então três vezes campeão do mundo largou na frente do companheiro apenas na Austrália. "O alemão é hoje, disparado, o melhor; ele vai arrasar o Rubinho."
Berger, atualmente diretor do projeto de F-1 da BMW, conta que conhece bem o brasileiro. "Andei algumas vezes atrás de Rubens e sempre achei que, quando tivesse um bom carro, seria um piloto vencedor, pois é técnico e muito veloz", diz. "Se Irvine fez o que fez com a Ferrari, Rubens fará muito mais."
No Brasil as opiniões são, em geral, favoráveis a Rubinho. Para o ex-piloto das equipes Arrows e Tyrrell, Ricardo Rosset, "Schumacher terá pela frente o companheiro mais difícil que enfrentou até hoje." A excelente impressão que Rubinho deverá deixar na Ferrari já no início pode enciumar o alemão. "Temo alguma represália do time em função da influência do Schumacher no grupo."
O promotor e organizador do GP do Brasil, Tamas Rohonyi, discorda. Ele afirma ter informações seguras de que a direção da Ferrari já compreendeu ser um erro estratégico concentrar todos os esforços no alemão. "Ao menos no início, os dois terão total liberdade; se, depois, Schumacher estiver em vantagem na classificação, Barrichello poderá ajudá-lo." Para Rohonyi, Rubinho vai ganhar várias corridas este ano.
O que estará em jogo, segundo Edgar de Melo Filho, ex-piloto e comentarista de F-1 por muito anos, "é muito mais a estrutura psicológica de Rubinho que a de piloto." Um possível melhor relacionamento com Rubinho, como já comentou Schumacher, deve durar pouco na visão de Melo Filho. "Depois de quatro ou cinco meses, o alemão vai mostrar as garras. Schumacher mostrou quem é, mais uma vez, este ano. "Ele não quis que Irvine ficasse com o título."
Como Rosset, Melo Filho pensa que Schumacher não vai gostar de ver Rubinho conquistando seu espaço na Ferrari por ser excelente acertador de carro, dominar o idioma italiano e ser de convívio muito mais fácil que o alemão. "Como fez na Benetton, Schumacher procurará desestabilizar essa evolução." Reginaldo Leme, comentarista de F-1 da Rede Globo e colunista do Estado, também pensa assim. "Schumacher vive para destruir o companheiro."
Mas Barrichello pode dar-se bem com ele, o que virá a favorecer seu rendimento. A receita de Leme para o brasileiro sair-se bem no confronto é usar a inteligência. "Rubinho terá de saber manobrar bem diante das situações difíceis que surgirão dentro da equipe." Ele aposta em um placar na competição sobre quem será o mais veloz nos grids: 11 a 6 para Schumacher. (L.O.)





