São Paulo - Dois acidentes violentos, em um intervalo de uma hora e meia, destruíram ontem duas Ferraris no circuito de Barcelona e interromperam a programação pré-temporada da escuderia italiana.
O primeiro a bater foi o tetracampeão Michael Schumacher. Seu carro saiu da pista a cerca de 220 km/h, ‘‘decolou’’ na caixa de brita e atingiu a barreira de pneus.
A traseira da Ferrari ficou completamente destruída. Apesar da violência do acidente, Schumacher saiu andando do carro e dispensou o atendimento do centro médico do autódromo espanhol.
Enquanto o alemão ainda explicava o acidente para a equipe, Rubens Barrichello repetia a dose. O brasileiro perdeu o controle do carro em uma curva, foi para a brita e também bateu de traseira.
O impacto de sua batida, porém, foi menor. A exemplo de Schumacher, Barrichello saiu andando do carro, sem ferimentos.
Foi o segundo acidente do brasileiro na pré-temporada da Fórmula 1. No dia 19, ele bateu com violência contra os pneus do circuito de Valencia, também na Espanha.
Sem condições de reparar os danos, a Ferrari decidiu cancelar os testes, que deveriam ir até sexta-feira. Hoje, as duas Ferraris devem chegar a Maranello, onde serão examinadas pelos engenheiros.
Os dois carros são híbridos. Ou seja, são modelos do ano passado equipados com alguns componentes novos. A Ferrari só vai estrear seu modelo 2002 após o lançamento oficial, em 6 de fevereiro.
Antes mesmo de os carros serem embarcados para a Itália, ficou clara a preocupação ferrarista de desvincular os três acidentes em um período de 11 dias – sites especializados já cogitavam que as batidas haviam sido causadas por um problema de projeto.
Schumacher, por exemplo, mudou radicalmente seu discurso ao longo do dia. Pela manhã, logo após a batida, ele afirmou que a saída de pista poderia ter sido causada por uma falha nos freios.
À tarde, após se reunir com a equipe, sua opinião já era outra. ‘‘Eu cometi um erro. É o tipo de coisa que vive acontecendo em testes’’, declarou o alemão.
Barrichello seguiu a mesma linha. ‘‘Foi uma saída de pista normal. Eu errei e o carro escapou.’’ Até agora, a Ferrari é a única equipe de ponta que ainda não lançou seu modelo para 2002. O time terá apenas duas semanas para testar o carro novo antes de embarcar para a abertura do Mundial, o GP da Austrália, no dia 3 de março, em Melbourne.
Dependendo do resultados desses treinos, a Ferrari cogita até iniciar a temporada com o carro de 2001, que deu o quarto título a Michael Schumacher.
Se essa hipótese for concretizada, o carro de 2002 deverá estrear apenas na segunda etapa do campeonato, o GP da Malásia, ou até mesmo na terceira corrida do ano, o GP Brasil, em Interlagos.

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