Montreal, 11 (AE) - Michael Schumacher e a Ferrari têm neste domingo, no GP do Canadá, uma boa chance de recuperar parte da vantagem perdida na classificação para Mika Hakkinen e a McLaren na corrida de Barcelona, dia 30. Conforme o alemão previra, as características do circuito Gilles Villeneuve, na ilha de Notre Dame, em Montreal, favorecem não só o modelo F399 da Ferrari como o seu estilo de pilotar. A Rede Globo transmite a corrida a partir das 14 horas.
Depois do treino livre de sexta-feira, realizado sob temperatura superior a 30 graus, Mika Hakkinen admitiu que seria difícil a McLaren se apresentar tão bem no Canadá como na Espanha, onde com David Coulthard, seu companheiro, ficaram em primeiro e segundo lugar. O alemão foi terceiro. No GP do Canadá
Schumacher joga com a maior adaptação do carro italiano aos 4.421 metros da pista e sua capacidade de se impor na prova. Seu retrospecto nos últimos cinco anos é impressionante.
Em 1994 ele venceu com Benetton-Ford. Na temporada seguinte, liderou 57 das 68 voltas da corrida, até que uma pane elétrica no volante o obrigou a parar nos boxes. Acabou na quinta colocação, com Benetton-Renault. No Mundial de estréia na Ferrari, em 1996, abandonou por quebra de um semi-eixo, mas nos dois anos seguintes, também com a equipe italiana, venceu. Uma nova conquista hoje lhe daria mais fôlego na classificação para enfrentar Hakkinen e a McLaren a partir do GP da Grã-Bretanha, dia 11 de julho, onde se inicia uma fase de pistas velozes do Mundial, na teoria mais favorável à McLaren. Hoje ele tem 30 pontos contra 24 de Hakkinen.
A corrida de Montreal costuma apresentar surpresas. Em geral, já na largada. Na temporada passada, por exemplo, a primeira delas foi cancelada em razão de um acidente múltiplo, que teve até o capotamento de Alexander Wurz, da Benetton. Depois, por causa de novos acidentes, o Safety Car entrou na pista três vezes. Foi no ano passado também que os ingleses queriam a qualquer custo a desclassificação de Schumacher. Ao retornar para a pista, depois do primeiro pit stop, o alemão cruzou a saída de box, empurrando Heinz-Harald Frentzen, da Williams, para fora. O piloto da Ferrari não foi punido. Em contrapartida, Schumacher exigiu da direção de prova uma severa advertência para Damon Hill, da Jordan, que lhe cortou o caminho, duas vezes
na grande reta, onde deslocava-se a quase 300 km/h. "Se ele quer se matar que o faça sozinho", afirmou o alemão. Hill também não recebeu nenhuma repreensão. Alguns pilotos costumam, como Schumacher, apresentar algo mais nos seus trabalhos no circuito de Montreal. Esse é o caso de Jean Alesi, da Sauber, e de Giancarlo Fisichella, da Benetton. Em 1995, no dia em que completava 31 anos, 11 de junho, o francês conquistou no Canadá sua única vitória na Fórmula 1, pilotando uma Ferrari. Já Fisichella, ano passado, largou em quarto e terminou em segundo, pela Benetton.
É comum os pilotos abandonarem a corrida por enfrentarem dificuldades com o sistema de freios ou de transmissão. O traçado exige três freadas de intensidade máxima. Já nos treinos livres de sexta-feira vários carros apresentaram superaquecimento dos freios, como Rubens Barrichello e Johnny Herbert, da Stewart. A transmissão é tão exigida que no ano passado a McLaren de Hakkinen não suportou as várias largadas. Um semi-eixo se partiu.
Na última prova, apenas 10 pilotos, dos 22 que largaram, completaram o GP do Canadá. Se o calor dos últimos dias se repetir hoje, durante a corrida, talvez menos concorrentes completem as exigentes 69 voltas da competição. Rubens Barrichello, da Stewart, é o brasileiro com maiores chances de marcar pontos, apesar de Pedro Paulo Diniz, da Sauber, contar em Montreal com um carro melhor acertado que nas outras etapas.
Ricardo Zonta, da BAR, surpreendeu já na sexta-feira, ao ficar na frente de Jacques Villeneuve, seu parceiro. Zonta está bastante motivado com sua volta à Fórmula 1.

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