Agência Estado
De Frankfurt, Alemanha
Como que em resposta às duras críticas do seu empresário à Ferrari, de ‘‘impor’’ a sua volta à Fórmula 1, Michael Schumacher declarou ontem, para a revista ‘Motorsport Acktuell’, ser ‘‘humano mudar de opinião’’, tentando deslocar para si, e não para a equipe, a decisão de disputar o GP da Malásia, domingo. Já na Itália, o diretor esportivo da Ferrari, Jean Todt, comentou desconhecer o fato de ‘‘estar com a cabeça a prêmio’’.
A imprensa alemã deu destaque ontem às declarações de Willi Weber, profissional que administra a carreira de Schumacher desde os tempos da Fórmula 3, em 1989. Weber considera que o retorno de seu piloto às pistas representa um risco elevado. ‘‘Em caso de novo acidente, podemos comprometer também a próxima temporada’’, avalia. ‘‘Michael errou em aceitar a sua volta’’, afirmou. Com isso, Weber deixa claro que Schumacher só irá correr em razão de Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, exigir mesmo a sua ajuda para a equipe ser campeã com Eddie Irvine.
As afirmações do piloto alemão, ontem, procuraram desfazer essa idéia de retorno compulsório. ‘‘Há momentos em que é melhor mudar de opinião que permanecer equivocado’’, disse. Depois completou: ‘‘Desejo colaborar com a Ferrari e, evidentemente, com Eddie Irvine.’
Um dos adversários do norte-irlandês ao título, Heinz-Harald Frentzen, da Jordan, comentou ontem ao questionar se Schumacher suportará as exigências da prova de Sepang, circuito de Kuala Lumpur. A notícia do seu retorno aumentou a velocidade de venda dos ingressos, informou a organização do evento. A expectativa é de que haja lotação completa domingo, ou seja, 90 mil espectadores.
Amanhã, Schumacher faz o chamado teste de habilidade física, no autódromo. Com toda sua indumentária, cintos atados, ele terá cinco segundos para retirar o volante e sair do carro e, em seguida, mais cinco segundos para reinstalar o volante. No simulado executado em Fiorano, sexta-feira, diante dos mecânicos da Ferrari, ele cumpriu sem dificuldades o exame. O teste será acompanhado pelo médico chefe da F-1, Sid Watkins. O brasileiro Ricardo Zonta, da BAR, pretendia correr o GP de Mônaco, em maio, mas como foi reprovado nessa avaliação, não recebeu autorização para correr.
Todt – ‘‘Desde que comecei trabalhar na Ferrari ouço dizer que vou perder o emprego’’, falou ontem o polêmico diretor da escuderia de Maranello. ‘‘No GP da França, em junho, no entanto, comemorei seis anos diante da Ferrari, um recorde.’ É natural, segundo Todt, que profissionais responsáveis por times capazes de despertar tantas paixões, como o italiano, estejam expostos a críticas. ‘‘Penso que só deixarei a Ferrari depois de atingir a meta de ser campeão.’
Na Itália comenta-se que se a Ferrari não conquistar o título este ano, Montezemolo, pressionado também pelos que colaboram com o orçamento de mais de U$ 200 milhões por ano, promoverá profundas mudanças na direção da equipe. O primeiro a sair seria Todt.

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