Schumacher dispensa ajuda de Rubinho
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quinta-feira, 05 de outubro de 2000
Agência Folha De Suzuka, Japão 
Às vésperas da corrida que pode lhe dar o Mundial de F-1, Michael Schumacher dispensou ontem a ajuda de seu companheiro de equipe, Rubens Barrichello. Para o piloto alemão, será melhor se Mika Hakkinen largar a seu lado no GP do Japão. O treino que define o grid para a penúltima etapa do campeonato acontece na próxima madrugada, a partir da 1 hora (horário de Brasília). Será melhor se essa disputa ficar apenas entre ele e eu, sem interferências dos nossos companheiros de equipe, afirmou Schumacher. Quero sinceramente que Mika esteja dividindo a primeira fila do grid comigo.
A declaração marca uma mudança de postura do alemão. Durante todo a temporada, ele elogiou o trabalho de Barrichello, enfatizando que a colaboração do brasileiro seria importante na sua luta para conquistar o Mundial. Pode, ainda, ser entendida como uma indireta a David Coulthard, companheiro de Hakkinen e seu antigo desafeto. Ontem, quando o finlandês disse que Coulthard teria liberdade para vencer a prova, Schumacher riu.
Usando óculos de sol com lentes vermelhas e acompanhado pela mulher, Corinna, fez questão de almoçar nos boxes. Nas entrevistas, buscava mostrar descontração e não se referiu ao brasileiro. Preferiu falar sobre suas chances e mostrar que está cauteloso. Não sou estúpido para acreditar que o título já está ganho. Até porque não está mesmo. Tenho oito pontos a mais, é uma boa vantagem, mas não é suficiente. Terei que lutar até o fim, disse Schumacher, que sairá campeão de Suzuka em duas hipóteses: se vencer a prova ou se marcar dois pontos a mais que o finlandês.
Na ocorrência de um desses casos, estará encerrando o maior jejum de títulos da história da Ferrari. A última vez que a escuderia conquistou um Mundial de Pilotos foi em 1979, com o sul-africano Jody Scheckter antes, a maior estiagem da escuderia havia sido de 11 anos, entre as conquistas do britânico John Surtees (64) e do austríaco Niki Lauda (75).
Apesar de pressionado para obter um bom resultado, Hakkinen, bem a seu estilo, afirmou que a corrida de Suzuka não vai ser diferente de nenhuma outra. Venho sentindo muita pressão nos últimos anos. Então, isso aqui não é nada traumático. Na prova, tudo pode acontecer. Adversários cordiais desde os tempos em que corriam campeonatos de base na Europa, Hakkinen e Schumacher evitaram ataques em seu primeiro encontro em Suzuka, uma entrevista coletiva marcada pela FIA.
Chegaram até mesmo a brincar um com o outro, situação inimaginável em disputas do passado, como Schumacher x Villeneuve, Senna x Prost, Mansell x Piquet.
Questionado sobre sua estratégia para a corrida, Hakkinen disse que irá frear três metros mais tarde em cada curva. Schumacher rebateu. Afirmou que retardará as suas freadas em cinco metros. Aí você vai acabar na brita, disse Hakkinen. Mas te carrego comigo, afirmou o alemão.
Hakkinen, por um instante, fez cara de preocupado. Afinal, Schumacher poderia não estar brincando. Tirar Hakkinen da pista em Suzuka não daria o título ao alemão. Mas lhe permitira chegar ao GP da Malásia precisando apenas de um quinto lugar.


