Schumacher continua sem adversários
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de março de 2001
Das Agências De Sepang, Malásia 
O alemão Michael Schumacher fez de tudo ontem em Sepang. Superou o forte calor e um temporal que atingiram o circuito malaio, ultrapassou dez adversários na pista, desobedeceu uma suposta ordem da Ferrari e, assim, venceu o GP da Malásia, segunda etapa do Mundial de F-1. Foi a sexta vitória seguida do tricampeão, o que o coloca como o segundo piloto da história neste ranking. Além dele, só Alberto Ascari conseguiu mais: venceu nove, entre 1952 e 1953.
Logo depois de cruzar a linha de chegada, com 28 segundos de vantagem para o primeiro adversário da Ferrari, Coulthard, Schumacher afirmou na sua frequência de rádio: Foi uma disputa chata, Ross (Ross Brawn, diretor técnico do time italiano). Eu podia parar e tomar um café que ainda assim venceria. Os geradores das imagens do GP da Malásia disponibilizaram num canal da TV digital o diálogo e muita gente ouviu.
Agora a versão do piloto: Eu não disse isso, respondeu. Falei que foi uma competição excitante e que deveríamos continuar dando de tudo de nós porque nossos adversários exigirão muito mais no futuro. E Schumacher não refletiu no rosto a cor mais tradicional da sua escuderia, o vermelho.
Na terceira volta da corrida parecia que Schumacher e Rubinho haviam ensaiado uma movimento conjunto para sair da pista juntos, na curva 6, em alta velocidade. Vi a barreira de pneus crescer na minha frente e achei que seria minha vez, falou, referindo-se a abandonar a prova. A chuva começara a cair naquele instante, vários pilotos perderam o controle do carro e desistiram, como Jacques Villeneuve, da BAR; Kimi Raikkonen e Nick Heidfeld, Sauber; Eddie Irvine, Jaguar; Juan Pablo Montoya, Williams; e Enrique Bernoldi, Arrows.
O Safety Car entrou na disputa na quarta volta e só saiu depois de a forte chuva diminuir, na 11ª . Tive muita sorte de manter-me na corrida e sem que minha Ferrari fosse afetada. Todos, até seus colegas, se impressionaram com o que se passou a seguir. Schumacher era o 11º colocado na hora que o Safety Car saiu da pista e seis voltas mais tarde ele já assumia a liderança. O alemão ultrapassava a todos com enorme facilidade.
Ele explicou uma das razões: Tanto eu quanto Rubens tínhamos os pneus intermediários, enquanto a maioria optou pelo de chuva intensa. Para aquelas condições, contou, a escolha mostrou-se bem mais apropriada: Havia muita água em alguns trechos e quase nenhuma em outras. Os pneus para chuva forte se degradariam rápido. Pela primeira vez desde que Schumacher e Rubinho tornaram-se companheiros de equipe, ano passado, as tensões dessa relação foram abertamente expostas. Quando o Safety Car saiu da prova, na 11ª volta, Rubinho estava em décimo, uma posição à frente de Schumacher, que perdera mais de um minuto nos boxes, entre aguardar Rubinho sair para poder ser atendido e o seu pit stop. O brasileiro parou primeiro para trocar os pneus de asfalto seco pelos intermediários. O alemão ultrapassou Rubinho na passagem seguinte.
O brasileiro protestou. É irrevelante saber qual o diálogo que Rubens manteve com a equipe. O que importa é que eu estava bem mais veloz que ele e não vejo por que não ultrapassá-lo.


