e não Irvine, o título que a Ferrari não consegue há 20 anos. Se o piloto alemão vencer as provas de Spa, Monza (dia 12), Nurburgring (26/9), Kuala Lumpur (17/10) e Suzuka (31/10), basta para o norte-irlandês classificar-se em segundo. Schumacher somaria 50 pontos (5 X 10) aos 32 que já tem, atingindo 82. Já Irvine, com cinco segundos lugares acrescentaria 30 pontos (5 X 6) aos seus 56 e chegaria a 86. Isso se o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, não estabelecer já a partir da prova de Spa, se o alemão retomar mesmo no GP da Bélgica, que Irvine é agora o número 1 da equipe. A ordem certamente não virá do diretor esportivo, Jean Todt, o principal articulador da substituição de Irvine por Rubens Barrichello na Ferrari. Salvo uma surpresa, sempre possível na Fórmula 1, a contratação do piloto brasileiro deve ser anunciada pouco antes do GP da Itália. Mas a maior preocupação de Schumacher nem é Irvine, a quem quase sempre superou em todos os circuitos. O maior adversário é Hakkinen, atual campeão do mundo. Irvine venceu na áustria e na Alemanha. Mas quem duvida que se David Coulthard, parceiro de Hakkinen, não o tivesse colocado para fora da pista em Spielberg
e se o pneu da McLaren do finlandês não explodisse em Hockenheim, ele não chegaria na frente de Irvine? Na Hungria, há uma semana, nada de anormal ocorreu na McLaren e Hakkinen cruzou a linha de chegada em primeiro, com uma vantagem de 27 segundos para Irvine, e Coulthard em segundo. Está muito claro para a direção da Ferrari que o maior avanço técnico da McLaren só pode ser compensado pela maior capacidade de Schumacher como piloto. Foi com o alemão que Hakkinen disputou o título da temporada passada até a última etapa, e não com Irvine. Mas diferentemente de 1998, desta vez a situação de Hakkinen para ser bicampeão é até mais fácil, mesmo ocupando a segunda colocação no Mundial. Na sua luta com Schumacher, basta, como Irvine, chegar em segundo nas etapas restantes da temporada. Com 54 pontos, Hakkinen atingiria nessa hipótese 84, ao passo que Schumacher vencendo as cinco etapas restantes somaria 82. São muitos os arranjos de resultados possíveis envolvendo Irvine
Hakkinen e Schumacher, a maioria deles favorecendo o líder e vice-líder do campeonato. Mas, como sempre, Schumacher não desiste. Acredita que pode ainda superar as deficiências técnicas do modelo F399 da Ferrari, se comparado ao MP4/14 da McLaren, e com muito esforço, competência, talvez a ajuda da Ferrari, e uma boa dose de sorte surpreender a todos. Depois dos dois segundos por volta que a McLaren de Hakkinen impôs à Ferrari de Schumacher, ano passado, ainda na abertura do Mundial, na Austrália, quem imaginaria que o alemão chegaria no GP do Japão, o último do campeonato, com chances de ser campeão? A carreira de Schumacher na Ferrari parece destinada a tentar vencer os desafios impossíveis.Por Livio Oricchio São Paulo, 21 (AE) - Ninguém questiona o fato de Michael Schumacher desejar retornar à Fórmula 1 já no GP da Bélgica, domingo, por acreditar que ainda pode ser campeão do mundo, mesmo a matemática jogando contra as suas pretensões. Com 24 pontos a menos que o líder da temporada, Eddie Irvine, companheiro de Ferrari, e 22 pontos atrás do segundo colocado, Mika Hakkinen, da McLaren, o piloto alemão terá de não só chegar na frente deles, nas cinco etapas que restam para o encerramento do campeonato, como torcer para eventuais abandonos dos dois. Em resumo: está difícil. A hipótese é pouco provável de tornar-se realidade, mas expõe bem o desafio que Schumacher tem pela frente para conquistar ele

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