Michael Schumacher e a Ferrari têm, a partir de hoje, a chance de demonstrar para toda a Fórmula 1 que o fraco desempenho no GP da Austrália, apesar da vitória de Eddie Irvine, foi mesmo um acidente de percurso. Hoje, quando os treinos livres começarem, às 11 horas, sábado, na classificação, e domingo, durante as 72 voltas da prova, Schumacher tem de provar que a Ferrari pode ser adversária da McLaren, o que não foi o caso da corrida de Melbourne. Só assim as fortes emoções da segunda metade da última temporada poderiam se repetir este ano, mas desde o início.
Antes de começar o campeonato, Schumacher se comprometeu com os ‘‘tifosi’’ (os fanáticos torcedores italianos), afirmando que a Ferrari concorreria com a McLaren desde as primeiras etapas do Mundial. Não seria como em 1998, em que o time de Maranello só se tornou mais competitivo nas últimas oito etapas, especialmente. ‘‘Vamos estourar as flechas de prata’’, declarou o alemão. Essas flechas acabaram por fazer meia volta para atingir seu próprio carro, pelo observado na Austrália, onde Mika Hakkinen, da McLaren, o pole, foi no grid um segundo e três décimos mais veloz.
‘‘Acho prematuro afirmar que se nós não formos bem no Brasil poderemos considerar o Mundial perdido’’, disse recentemente Schumacher. ‘‘Acho que seriam necessários cinco ou seis GPs e desempenhos desastrosos da nossa parte para uma conclusão dessas’’, argumenta o piloto da Ferrari. Ocorre que este ano não existe mais em jogo a importante variável dos pneus. Em 1998 Schumacher defendeu a Goodyear, enquanto a McLaren, a Bridgestone.
Os norte-americanos não só recuperaram o atraso em relação ao concorrente como no final do ano seus pneus talvez fossem até mais eficientes que os japoneses da McLaren. Há quem acredite que eles eram tão mais eficazes que acabaram por mascarar certas deficiências do chassi da Ferrari. E agora, equipado com outros pneus, esses problemas de equilíbrio se manifestaram.
O campeão do mundo, Mika Hakkinen esnobou Schumacher. ‘‘Em 1998 nós estendemos a disputa até a última etapa do campeonato, nesta temporada, no entanto, pelo que vi, será mais fácil.’’ Mas a McLaren também está em xeque: se o que falta à Ferrari é velocidade; para a escuderia inglesa o problema é a resistência do equipamento.
‘‘Eu acho difícil que eles terminem a corrida’’, provoca Eddie Irvine, companheiro de Schumacher e atual líder do campeonato, referindo-se à McLaren. O que deve ocorrer nos lances seguintes desse jogo ficará mais claro a partir de hoje com a realização dos primeiros treinos da 28ª edição do GP do Brasil.
Asfalto - Há pelo menos cinco anos o asfalto de Interlagos é alvo de duras críticas dos pilotos da F-1. Não à toa, o GP Brasil é a única prova do ano em que as vistorias feitas pelo inspetor de segurança da FIA viram notícia. A administração do autódromo promete iniciar logo um total recapeamento da pista. ‘‘Assim que o GP terminar, começaremos os trabalhos para recapear todo o circuito , declara Carlos Adhemar de Figueiredo Ferraz, administrador do autódromo paulistano.

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