Schumacher bate de novo e é criticado
Agência Estado
De São Paulo
Com a sua imagem bastante desgastada diante dos italianos, Michael Schumacher levou ontem um grande susto ao se acidentar no teste que fazia com a Ferrari, em Mugello. Ele perdeu o controle do carro na curva Scarperia e bateu no muro de proteção, arrancando a suspensão dianteira direita do modelo F399. O piloto não se feriu. A imprensa italiana o criticou duramente, ontem, por anunciar, domingo, que não corre mais na temporada.
Schumacher treinava para avaliar uma nova versão do motor V-10, bem como as mudanças aerodinâmicas introduzidas no carro da Ferrari, visando as duas últimas etapas do campeonato, o GP da Malásia, dia 17, e do Japão, dia 31. Curiosamente, corridas que ele não irá participar, o que mostra o quanto a direção da Ferrari não confia em Eddie Irvine e Mika Salo, os seus pilotos em atividade no Mundial, para desenvolver a F399.
Schumacher se acidentou ainda na 15ª volta do teste na pista de 5.250 metros. Mancando, o alemão retornou para os boxes a pé, enquanto um caminhão recolhia o modelo F399. Três horas depois, já no início da tarde, Schumacher estava de volta ao circuito para concluir o programa do treino com o mesmo chassi. No total, completou 69 voltas, o que significa 362 quilômetros de teste, sendo que os GPs de Fórmula 1 têm 305 quilômetros. Na volta mais rápida fez 1min27s28. Ele usava o mesmo carro de Eddie Irvine, sábado, quando o norte-irlandês registrou 1min28s02.
Domingo, depois de ser examinado pelo conceituado ortopedista francês Gerard Saillant, Schumacher afirmou que não disputará as provas de Kuala Lumpur e de Suzuka. Faltam-me condições físicas, argumentou Schumacher.
O namoro entre a imprensa italiana e Schumacher parece ter acabado de vez ontem. Os jornais do país refletem em manchete a revolta dos italianos com a renúncia do piloto em ajudar a Ferrari ser campeã. Schumacher não assumiu a sua parte de responsabilidade, publica a Gazzetta dello Sport, referindo-se ao fato de, deliberadamente, escolher não correr na Malásia e no Japão. A decepção em Maranello é grande diz o título de outra reportagem da Gazzetta, diário pertencente ao grupo Fiat, proprietário também da Ferrari. Já o empresário do piloto, Willi Weber, qualificou como ridículos os rumores de que Schumacher estaria abandonando a carreira.





