O Michael Schumacher que se apresentou ontem em Hockenheim para disputar o GP da Alemanha, diante da sua torcida, não era o profissional equilibrado de quase sempre. Talvez o avanço dos pilotos da McLaren na classificação do Mundial o esteja alterando emocionalmente. Quando um jornalista inglês insinuou que ele não age legalmente na pista, afirmou: ‘‘Nesses anos todos de F-1 aprendi que as regras são essas.’’ Depois completou: ‘‘Vocês foram também duros com Senna quando ele colocou Mansell para fora do GP de Mônaco, em 1992?’’ perguntou, irritado. ‘‘Não, não é? Ao contrário, escreveram que foi uma grande corrida.’’
Sua declaração sugere que ele pensa existir uma certa mania de perseguição com seu trabalho. ‘‘Vocês ingleses, em especial, distorcem as coisas para que minha imagem seja a de um vilão.’’ O seu comportamento no GP da França, quando impediu David Coulthard de ultrapassá-lo, é resgatado pela imprensa. O escocês da McLaren, separado de Schumacher apenas por Mika Hakkinen na entrevista de ontem, acusou violentamente o alemão, dizendo que ele não pode ser líder da associação da classe. ‘‘Eu não levo em consideração o que esses dois falam’’, afirmou ontem Schumacher, referindo-se a Coulthard e a Jacques Villeneuve.
Aparentando calma, Coulthard interveio no discurso. ‘‘Não se trata de apenas dois pilotos que não aprovam as atitudes de Schumacher, mesmo porque quem levantou a questão do perigo que ele representa, na nossa reunião, foi Heinz-Harald Frentzen’’, lembrou o escocês. Schumacher se defendeu: ‘‘As corridas têm comissários e um diretor de prova, Charlie Whiting, e eu até agora sequer fui chamado a atenção’’, afirmou. ‘‘Isso para mim quer dizer que não fiz nada de irregular.’’
Ontem, enquanto os pilotos batiam boca na sala de imprensa, a chuva caía forte nessa bela região da Alemanha, localizada a cerca de 100 quilômetros ao sul de Frankfurt. O piloto brasileiro Rubens Barrichello disse que gosta de correr neste clima.
Depois das duas vitórias seguidas da McLaren no campeonato, e de não ter marcado pontos nessas etapas, França e Áustria, o ainda líder do Mundial, Michael Schumacher, afirmou ontem que ‘‘a fase de má sorte acabou’’. Foram mais de sete dias de treinos em Fiorano e Mugello, com Rubens Barrichello, Luca Badoer e o próprio alemão, em um dos dias, para experimentar novidades no modelo F1-2000, a fim de recuperar o atraso técnico com relação à equipe inglesa. ‘‘Temos novidades aerodinâmicas, eletrônicas e no motor’’, contou Schumacher. Sobre a perda dos pontos da McLaren no GP da Áustria, ele comentou: ‘‘Não me interesso por essas questões, desejo ser campeão dentro das pistas.’’

mockup