Schumacher admite que errou
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sábado, 12 de junho de 1999
Por Livio Oricchio 
Montreal, 13 (AE) - Michael Schumacher admitiu: "Errei." Mas o descuido do piloto alemão pode lhe custar caro. Para ele e a Ferrari. "É importante concluir a primeira fase do campeonato (termina no GP da Grã-Bretanha, dia 11 de julho) na frente de nossos adversários", afirmou Schumacher no Canadá. Ele pretendia dizer que a maioria das oito etapas restantes da temporada favore mais o equipamento da McLaren que a sua Ferrari.
Na 29ª volta da corrida, uma antes do acidente, Schumacher tinha uma vantagem de 4 segundos e 285 milésimos para Mika Hakkinen, da McLaren. Seu objetivo era abrir entre 6 ou 7 segundos antes do pit stop, programado para sete voltas mais tarde, a fim de não correr risco de sair do boxes atrás de Hakkinen quando este fizesse a sua parada. Na segunda perna da chicane da reta dos boxes, Schumacher perdeu o controle do carro e colidiu contra o muro, posicionado bem próximo do limite da pista. Era o fim do sonho de não só manter-se em primeiro na classificação do Mundial como ampliar a vantagem para Hakkinen.
"É muito simples explicar o que aconteceu", comentou. "Eu perdi o controle por causa de estar na trajetória suja do asfalto." Depois confessou: "Sem dúvida um erro meu." Ele lamentou o fato, em função de dispor um carro superior ao do concorrente. "Peço desculpas a minha equipe que trabalhou duro para me entregar uma Ferrari vencedora hoje." Para a imprensa alemã, confidenciou: "Normalmente cometo um erro por ano, espero que este tenha sido o da cota desta temporada." O diretor esportivo da Ferrari, Jean Todt, saiu em defesa do alemão.
"São coisas que acontecem até mesmo com os grandes campeões, como Michael Schumacher." Como seu piloto, a tristeza maior decorria de ter sido num circuito em que a Ferrari tinha tudo para ampliar sua vantagem na classificação. "Perdemos a liderança do campeonato dos pilotos, mas não dos construtores", disse Todt. A Ferrari está em primeiro com 55 pontos, seguida da McLaren, com 46.
Eddie Irvine, companheiro de Schumacher, realizou um dos seus melhores trabalhos na Fórmula 1, ontem, ao terminar na terceira colocação. Sua primeira declaração vai ao encontro do que disse o alemão quanto a eficiência do modelo F300 no circuito Gilles Villeneuve. "Eu nunca guiei um carro tão adaptado a um traçado como hoje", afirmou Irvine.
Depois do acidente de Schumacher, Irvine e David Coulthard, da McLaren, passaram a disputar o segundo lugar. Na 41ª volta, os dois se tocaram na primeira curva e acabaram rodando. Irvine teve de trocar pneus nos boxes e ao retornar à pista impôs um ritmo espetacular, ultrapassando Pedro Paulo Diniz, da Sauber, Johnny Herbert, Stewart, e Ralf Schumacher, Williams. Algumas dessas ultrapassagens foram emocionantes, como quando Irvine e Herbert passaram pela chicane da reta dos boxes sobre a grama, sem bater. Irvine evitou a discussão com Coulthard, já que o escocês, ao sentir que iria perder a posição
tocou na traseira da Ferrari, provocando a rodada de ambos. "Foi muito divertido, passei depois um monte de gente", falou sem responder a pergunta sobre a reação de Coulthard. Na semana da prova, Irvine o chamou de incompetente e afirmou que se tivesse na McLaren faria um trabalho bem melhor que o seu. O comportamento de Coulthard ao ser ultrapassado por Irvine propõe que ele transferiu para a corrida as palavras desrespeitosas do irlandês.
Irvine está em terceiro no campeonato, com 25 pontos, apenas cinco a menos de Schumacher, segundo.


