São Paulo, 24 (AE) - Manter-se por oito anos entre os primeiros da vela mundial na classe Laser, tendo nascido em um País sem tradição no esporte, não é fácil. O iatista Robert Scheidt, de 26 anos, que chegou hoje ao Brasil após a conquista do tetracampeonato mundial em Cancún, no México, prossegue a preparação em busca do bicampeonato olímpico em Sydney. A regularidade que mostrou no Mundial - venceu 8 das 14 regatas disputadas em Cancún com 138 velejadores de 50 países - prova o sucesso do trabalho iniciado em outubro, que visa à "cabeça".
"É um trabalho que foca a alta performance, a concentração, evita a dispersão na hora da atividade", comenta Scheidt, acrescentando que estar preparado para a pressão psicológica de uma Olimpíada é tão importante quanto estar no auge da forma física. "Sei que a ansiedade vai existir, como no Mundial, em que demorava para dormir e acordava cedo, mas não pode passar muito disso, tem de ser um sentimento controlado para não atrapalhar."
O técnico Cláudio Biekarck, que acompanhou Scheidt a Cancún e segue com ele para Sydney, entende que o atleta está conseguindo ter motivação, sentimento fundamental para continuar entre os primeiros do mundo. "Ele está com a corda toda, treinando duro, sentindo alegria de velejar, com gana de vencer e paz de espírito enorme." Ingredientes que o técnico considera fundamentais para quem tem de repetir o mesmo trabalho há oito anos, buscando sempre o nível máximo, em um barco como o da Laser, em que se veleja solitário.
Após três títulos mundiais (1995, 96 e 97), uma medalha olímpica, em Atlanta (96) e ganhar todas as mais importantes e tradicionais semanas de vela no mundo, Scheidt precisava dar uma resposta ao vice-cameponato mundial de 99, que considerou uma derrota. Em Cancún, reencontrou-se com a motivação.
Scheidt, que quer velejar até os 40 anos, disse não estar preocupado em passar para a história como um dos maiores nomes da vela do País ou igualar o recorde de Adhemar Ferreira da Silva, único brasileiro bicampeão olímpico. Na temporada, o objetivo mais imediato é uma medalha em Sydney. "Quero manter o ritmo até setembro, pensando apenas na Olimpíada", afirma ele, que fará três provas na Europa - Semana de Hyéres, França; Spa Regata, na Holanda; Semana de Kiel, Alemanha - entre abril e junho.

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