São Paulo, 11 (AE) - O tricampeão mundial e campeão olímpico Robert Scheidt quer ampliar ainda mais os seus conhecimentos sobre a Baia de Sydney, onde serão disputadas a regatas da classe Laser, na Olimpíada do ano que vem. Scheidt embarca no dia 28 para um treino de 40 dias na Austrália e seu objetivo é claro: analisar cada um dos detalhes da raia que vão envolver a sua luta por mais uma medalha de ouro olímpica. De onde vem os ventos, como eles mudam, como são as correntes em cada uma das três raias olímpicas da Baia de Sydney.
"Sim, serão três raias diferentes e os organizadores só vão comunicar em qual delas será a regata na véspera, uma dificuldade a mais", disse Robert Scheidt, de 26 anos. O velejador despede-se do público paulista neste fim de semana, competindo no Campeonato Paulista de Laser, de sábado à segunda-feira, na Represa do Guarapiranga.
Scheidt vai treinar e também disputar a Sydney International Regata, entre 10 e 15 de dezembro, em novo duelo com o inglês Ben Ainslie, primeiro do ranking mundial, e com todos os melhores do mundo na classe. Scheidt foi o segundo nesse mesmo torneio, no ano passado.
"Todos querem conhecer melhor a raia de Sydney porque isso será fundamental na hora da briga por medalhas", acentua o brasileiro. Na Olimpíada de Atlanta, em 1996, quando foi o campeão, havia uma única raia. "Em uma das raias de Sydney a baia afunila e você veleja muito próximo à margem, uma outra, que é mais aberta, com bons ventos, sofre influência da correnteza que entra na baia", comenta.
Scheidt insiste que vai "trabalhar duro em cima das raias". Observa que na Baia de Sydney os ventos oscilam muito e o velejador tem de tomar decisões rápidas e acertadas. O iatista vai passar o Natal e o Ano Novo longe da família, mas acha que "o sacrifício vale e tem de ser feito agora". Disse que de tanto ir à Sydney já tem amigos, com os quais poderá passar as festas de fim de ano. "Vou comemorar com os velejadores mesmo." Antes de voltar ao Brasil, Scheidt ainda disputa uma competição, no início de janeiro do ano 2000, no norte da Austrália.
Força para lutar - Embora tenha sido apenas o 12º. colocado na Pré-Olímpica de Sydney, sua última competição internacional importante, Scheidt fez um balanço positivo da temporada. "Não foi a melhor, mas também não foi ruim", ressaltou. "Fiquei com o vice-campeonato mundial, em janeiro, também fui segundo na Semana de Spa, ganhei a Semana de Kiel, um título inédito, e a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos." Apesar da avaliação positiva, Scheidt confessa que não gosta de resultados como a da Pré-Olímpica. "Mas no fundo é bom que eles ocorram para eu ter de trabalhar duro, cada vez mais."

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