Scheidt fica com um pé no Brasil e outro na Itália
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sexta-feira, 09 de janeiro de 2009
Agência Estado 
São Paulo - O ano de 2009 será de mudanças para Robert Scheidt. Embora continue com sua base no Brasil, o velejador vai passar parte da temporada na Itália. E terá de dedicar-se, ao mesmo tempo, às competições da classe Star - na qual conquistou a medalha de prata na Olimpíada de Pequim, ao lado de Bruno Prada - e às da vela oceânica.
Scheidt garante que a alteração da rotina não significa que, após quatro medalhas olímpicas (duas de ouro e duas de prata), o entusiasmo por conquistas nos Jogos já não seja mais o mesmo. O sonho olímpico continua. Vou competir na vela oceânica, mas nosso objetivo e prioridade continua sendo 2012, disse.
O velejador afirma, inclusive, que o principal evento de seu calendário neste ano será o Mundial da Star, na Suécia, em agosto, e que ele está investindo em um barco alemão do mesmo estaleiro do britânico Iain Percy, velejador que o superou na disputa pela medalha de ouro em Pequim.
Scheidt não acredita que o período fora do Brasil vai afetar o entrosamento com Bruno Prada na classe Star. Vamos nos encontrar na Europa para treinar e competir, contou. Acho que toda a bagagem acumulada nesses quase quatro anos de parceria será suficiente para que a gente possa continuar trabalhando junto sem problemas. Bruno mora em São Paulo com a família e viajará várias vezes para a Europa, neste primeiro semestre, onde participará de cinco competições com Scheidt antes do Mundial.
Já a vela oceânica faz parte dos planos de longo prazo do bicampeão olímpico. Estou semeando para colher no futuro. Scheidt fará parte da tripulação do barco Luna Rossa para a próxima edição da regata Louis Vuitton, que começa no dia 29 em Auckland, na Nova Zelândia. Ele espera causar boa impressão e, assim, abrir portas nas principais equipes, que como o Luna Rossa contam com investimentos milionários.
O velejador garante que, por enquanto, sua motivação na categoria não é financeira, apesar da reputação da vela oceânica de oferecer altos salários aos atletas que se destacam. Meu interesse é dominar melhor os desafios da categoria, assim como conviver com uma tripulação de 17 pessoas, contou.
Essa é uma experiência nova para Scheidt, que competiu sozinho na categoria Laser por uma década e, em 2007, migrou para a Star, na qual as competições são disputadas em dupla.
Outro atrativo da vela oceânica, segundo Scheidt, é ter acesso ao que há de mais avançado na indústria naval. Estou aprendendo sobre os diferentes tipos de vela, diferentes tipos de mastro. Coisas assim estão fazendo de mim um velejador mais completo, afirmou.
O desafio de Scheidt em 2009 não se limita ao campo esportivo. Recém-casado com a lituana Gintare Volungeviciute, o velejador também teve de planejar bem o calendário para não ficar muito tempo longe da amada, que foi medalha de prata na classe Laser Radial nos Jogos de Pequim. O casal vai ficar parte do ano em Lago di Gardia, na Itália, e parte no Brasil. Escolhemos Lago di Gardia porque é o centro da classe Laser na Europa e um dos principais centros do mundo, explicou. E quando eu viajar para o Brasil, ela virá comigo.


