Agência Estado
De São Paulo
Muito emocionado e ainda vestindo a roupa de neuprene, o velejador brasileiro, Robert Scheidt (foto) contou o seu feito, usando um telefone público do Iate Clube de Cancún. ‘‘Sou tetracampeão, era um título que eu já estava perseguindo há algum tempo, uma conquista inédita na Classe Laser; nunca um iatista foi campeão quatro vezes, é um recorde...’, falou Scheidt, colocando uma sequência de idéias, com a euforia de quem acabou de conquistar mais um Mundial da Classe Laser. ‘‘Sinceramente, estou emocionado demais com mais esse título, com o tetracampeonato.’’
O velejador foi campeão em Tenerife, em 1995; na África do Sul, em 1996; e no Chile, em 1997. Ontem, Scheidt foi o segundo colocado na primeira regata das duas últimas, em Cancún, no México. Chegou à frente dos principais adversários, o australiano Michael Blackburn e o sueco Karl Suneson. O resultado assegurou o primeiro lugar na classificação geral e o título. Mesmo assim, ainda foi para a água, para a largada da segunda regata do dia. ‘‘Eu pensei em ganhar a última das 11 regatas do Mundial, arrisquei demais e larguei escapado’’, contou. Scheidt foi desclassificado na última regata, iniciando antes do fim do Mundial a festa do título.
A vaga olímpica que já era de Scheidt, na teoria, agora está confirmada. Robert será o representante brasileiro nos Jogos de Sydney, em setembro. ‘‘Lá eu sei que vou ter de matar outro leão, não há dúvida, mas se eu chegar a Austrália na mesma forma física de agora posso garantir o bicampeonato olímpico, vai ser duro, mas sei que tenho condições.’
O ponto mais positivo da atuação de Scheidt, rumo ao tetracampeonato, foi a regularidade, em condições variáveis de vento – regular, fracos e fortes – e sob pressão. ‘‘Eu tive de suportar a pressão de ser o líder do Mundial desde o início’’, observou. ‘‘Estando na frente eu tive de me defender regata após regata e isso é uma pressão enorme’’, comentou Scheidt.

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