Curitiba - Dono do melhor currículo da delegação brasileira que vai a Pequim, o iatista Robert Scheidt luta, agora em dupla com Bruno Prada, por sua quarta medalha olímpica. Campeão em Atlanta-96 e Atenas-04 e vice em Sidney-00, e dono de nove títulos mundiais na classe Laser, o atleta segue entre os favoritos a mais uma conquista, desta vez na Star.
Totalmente adaptado ao novo barco e ao fato de competir em dupla, Scheidt assume o favoritismo e se diz preparado para lidar com a pressão de ter que vencer. ''Vai ser uma experiência nova, afinal será num barco diferente e não estarei sozinho como antes. Estamos entre os favoritos para o pódio desde que ganhamos a medalha de ouro no Mundial de Cascais, no ano passado'', ressalta o iatista, que lembra que estreou nas Olimpíadas, em 1996, com a responsabilidade de ser o favorito, e ganhou a medalha de ouro.
''Sempre soube lidar bem com a pressão. E agora fizemos a melhor preparação possível para os Jogos e agora é só fazer os últimos treinos de adaptação às raias de Qingdao''.
O caminho para chegar à Olimpíada passou por uma disputa acirrada com Lars Grael e Marcelo Jordão na seletiva nacional. ''Isso só valorizou a nossa classificação. E representar o Brasil na Star é uma responsabilidade muito grande por tudo o que o Torben Grael e o Marcelo Ferreira fizeram na classe'', complementa Scheidt.
Ao seu lado, o experiente iatista terá o estreante em Olimpíada Bruno Prada, que não esconde a ansiedade. ''Vou realizar meu sonho. Já disputei os Jogos Pan-Americanos e vários Mundiais, mas faltava a participação em uma olimpíada. Fizemos uma preparação muito longa, enfrentamos as principais duplas do mundo e estamos prontos para tentar o melhor desempenho possível'', adianta.
Prada acredita que a disputa será acirrada, com muitos candidatos ao pódio. ''Há um grupo de pelo menos oito duplas em condições de lutar por medalhas. Destaco os poloneses, os suecos, os italianos, os neozelandeses e os suíços, que fizeram um barco para andar no vento fraco'', aponta.
A irregularidade dos ventos na raia olímpica, recentemente afetada pela proliferação de algas, será uma das grandes dificuldades dos iatistas. ''Disputamos no ano passado o Pré-Olímpico em Qingdao na mesma época da olimpíada e ganhamos a medalha de ouro. Encontramos todos os tipos de vento. Outro fator importante é a correnteza muito forte. Nosso período de adaptação de 15 dias será muito importante. Não encontramos algas no ano passado e acho que não teremos problemas com isso'', conclui Prada.

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