Atenas - Após dias de muito treino, com ventos variando de fraco a médio, vindos do mar, de ''Sudoeste a Sul'', o iatista brasileiro Robert Scheidt decidiu reduzir o ritmo de treinos até a estréia nos Jogos Olímpicos, marcada para sábado, na marina de Agios Kosmas, quando começam as 11 regatas na raia A, que será dividida pelas classes Laser e Europa.
Apesar do banho gelado antes de entrar na água, do protetor solar número 50, viseira, óculos (que só usa quando a claridade está muito acentuada) e muito isotônico, o sol escaldante e o calor aumentam ainda mais o cansaço após quatro horas velejando, diariamente, desde que chegou a Atenas. ''O que tinha de fazer está feito, agora é só descansar. Esta segunda, que é dia de medição dos barcos, eu vou parar e a partir desta terça vou treinar leve.''
A falta de abrigos contra o sol escaldante na imensa marina de Agios Kosmas onde os iatistas e técnicos já adotaram a bicicleta como meio de locomoção foi motivo de um protesto da delegação brasileira. ''Eles não querem que cada país coloque a sua tenda para não virar uma favela, com muitas cores e barracas diferentes. Então que ponham algo padronizado. Já pedimos por escrito'', afirmou Reinaldo Câmara, chefe da equipe.
Os velejadores têm de montar e desmontar barcos, além do tempo que passam na água, sob o sol.
O chefe do Brasil disse que a infra-estrutura montada pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) na Vila Olímpica está funcionando, inclusive com orientação médica para problemas, como por exemplo, a dieta de Marcelo Ferreira, companheiro de Torben Grael na classe Star, que ainda precisa emagrecer. O proeiro Marcelo deve estar com 105 quilos para os 90 quilos do timoneiro Torben.
''Os dias têm sido muito longos nessa rotina de acordar, pegar o ônibus na Vila Olímpica, vir até aqui, depois fazer academia, piscina na Vila... tudo termina por volta das 21 horas e fica muito difícil dormir cedo. Mas minha preparação está pronta, estou feliz com os treinos que fiz e pronto'', resume Scheidt.
O segredo da raia de Atenas, segundo o técnico Claudio Bieckark, que acompanha Scheidt, será conseguir escolher, em cada fase das regatas, o lado da raia que tenha a maior intensidade de vento, que são irregulares.
Panela velha Fernanda Oliveira, 23 anos, e Adriana Kostiw, 30, formam a dupla da classe 470 em Atenas. Diferentemente de Scheidt, que sempre preferiu ventos fortes, elas gostam dos ventos de fraco a médio que sopram nesta época do ano em Atenas.
Enquanto empurravam o barco de volta da medição, riam com o apelido que pensaram em dar ao equipamento panela velha, uma alusão a data de fabricação do 470. O barco neozelandês, que é da Fernanda, foi comprado em 1999 as meninas foram as últimas a se classificar e a Federação Brasileira de Vela (que recebeu recursos da Petrobras e da Lei Piva) não adquiriu um equipamento novo. ''É o barco mais velhinho que tem aqui, mas nós nos classificamos com ele e é um equipamento bom, bem mantido'', disse Fernanda, observando que um 470 novo custa US$ 13 mil.
Fernanda, que competiu em Sydney (com Maria Krahe), forma com Adriana, que é uma estreante em Jogos Olímpicos, a dupla da classe desde dezembro de 2003. ''Queremos fazer algumas boas regatas'', observou Fernanda.
Apesar do pouco tempo em que velejam juntas, Adriana acha que tem um bom entrosamento com a parceira. Apontam as tripulações grega, eslovena, argentina e israelense como favoritas às medalhas.

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