Scheidt descarta ter ingerido hormônio
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terça-feira, 04 de maio de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 05 (AE) - O zagueiro Scheidt, do Grêmio e da Seleção Brasileira, negou ter ingerido o hormônio dehidroepiandrosterona (DHEA), encontrado na sua urina após o jogo contra o Flamengo, pela Copa do Brasil, no dia 21 de abril. "Não tomei nada", garantiu hoje o jogador. "Nem algo semelhante". O zagueiro garante que foi pego de surpresa. "Agora vamos ter que encarar isto da melhor maneira possível". Scheidt afirmou que continuará trabalhando "como sempre, com simplicidade" para superar as dificuldades.
Indagado sobre seu futuro no selecionado, o zagueiro comentou que pensará no assunto "depois de solucionar este problema". Scheidt esquivou-se das perguntas técnicas, invocando seu desconhecimento do assunto e sugerindo que as dúvidas fossem encaminhadas aos departamentos médico e jurídico do clube. Suspenso preventivamente por 29 dias, ele não atuará hoje contra o Inter de Santa Maria, no início da segunda fase do Campeonato Gaúcho. Ele deverá ser substituído por Rodrigo Costa.
Novo exame - Uma das maiores autoridades mundiais em doping, o médico Eduardo De Rose, confirmou que o DHEA é também produzido pelo corpo humano. De Rose observou, como exemplo, que um por cento da população dos Estados Unidos possui concentração do DHEA em níveis acima dos normais. Por isso, não descarta a possibilidade de que a substância tenha sido gerada pelo próprio organismo do jogador.
Ele recomendou ao Grêmio que submeta o jogador a um exame complementar para avaliar seu perfil hormonal. Identificado pela sigla GCIRMS, o teste envolve, nas palavras do médico, "análise isotópica com técnica de gás cromatográfica". Só este exame poderia, de fato, comprovar se houve ou não "consumo exógeno do DHEA". Seria supervisionado pela CBF e efetuado fora do Brasil.
De Rose assinalou que o laboratório da UFRJ, o Ladetec, usado pela CBF, não dispõe de recursos tecnológicos para realizá-lo. Teria que ser feito em laboratórios do exterior, existentes, por exemplo, em Montreal, Colônia ou Barcelona. As informações do médico foram transmitidas hoje pelo presidente do clube, José Guerreiro, que localizou o especialista em Dubai, no Oriente Médio, onde participa de um congresso de medicina. De Rose remeteu um parecer à direção gremista sugerindo o novo exame. O DHEA é encontrável nas prateleiras de suplementos alimentares importados das farmácias. Um frasco custa R$ 50,00 e contém cem comprimidos. É vendido sem prescrição médica.


