Scaff disse que não foi orientado a prestar contas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de dezembro de 2000
Carolina Avansini De Londrina 
Em depoimento ontem à Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investiga irregularidades no repasse de recursos para clubes esportivos de Londrina, o ex-presidente do Grêmio Literário e Recreativo Londrinense e atual prefeito da cidade, Jorge Scaff, afirmou que nunca foi orientado a prestar contas sobre os cheques nominais que recebia, endossava e devolvia para a administração municipal.
Se soubesse que deveria prestar contas, não teria aceito o convênio. Não poderia responder pelas atividades do esporte amador, afirmou, acrescentando que apenas ele e o tesoureiro do clube estavam autorizados a endossarem os cheques, que eram trazidos pelo ex- assessor especial de esportes, Paulo Vicente Viana, ou por funcionários da assessoria.
Foram emitidos cheques nominais ao Grêmio no valor total de R$ 1,3 milhões. Segundo Scaff, nenhuma parte deste dinheiro foi utilizada pelo clube. Ele acrescentou que havia dois projetos autorizando o clube a receber os recursos e redirecioná-los para outras entidades. Questionado sobre a existência de um parágrafo determinando que o Grêmio prestasse contas sobre o dinheiro recebido, alegou que a responsabilidade seria das entidades beneficiadas.
Ele só confirmou o depósito de dois cheques na conta da agremiação, nos valores de R$ 85 mil e R$ 30 mil. De acordo com o ex-presidente, o dinheiro do primeiro cheque foi repassado para o Londrina Esporte Clube, que emitiu um recibo. Com os R$ 30 mil relativos ao outro cheque, informou, foram comprados placares eletrônicos para o Moringão.
Scaff também afirmou que após uma auditoria realizada em 1998, ele foi orientado por Kakunen Kyosen, auditor do município na época, a encerrar o acordo. Depois da auditoria, o Grêmio só prestou contas dos cheques de R$ 60 mil mensais repassados ao time de basquete que levava o nome do clube.
A CEI deve divulgar as conclusões sobre a investigação na semana que vem. O vereador Salvador Francisco (PSB), que preside a comissão, afirmou que o relatório vai apontar os responsáveis e exigir a prestação de contas. Para ele, as secretarias de Fazenda, Governo e a Assessoria Especial de Esportes também devem ser responsabilizadas.
Não havia prestação de contas por parte dos clubes, mas o dinheiro continuou sendo repassado. A prefeitura tem que responder, assim como os clubes, argumentou.


