Zurique, 02 (AE) - Pedro Paulo Diniz e Mika Salo entraram hoje na sala de entrevistas do Hallenstadion, o ginásio coberto de Zurique, cada um acelerando uma vespa, do mesmo tipo que utilizam para percorrer os paddocks dos circuitos da Fórmula 1. Ao mesmo tempo, imagens tridimensionais de raio laser com desenhos dos carros e dos patrocinadores da equipe Sauber eram projetadas em uma tela branca que pendia do teto, quase no meio da sala.
Perfilados dos dois lados do recinto estavam diversos carros que compõem a história de 7 anos de atividades da Sauber na Fórmula 1. O ambiente e as declarações de Peter Sauber, Diniz e Salo coincidiram na visão otimista para a próxima temporada, ignorando a mudança do tempo que trouxe mais frio e chuva.
Peter Sauber, comemorando 30 anos de automobilismo esportivo, disse o que não deverá ocorrer este ano: "No ano passado, o carro ficou pronto muito tarde, tivemos problemas que custaram para ser resolvidos e os pilotos - Diniz e Alesi - começaram o campeonato desmotivados. Isso afetou toda a temporada".
Desta vez, a Sauber foi a primeira equipe a iniciar os testes com o novo carro, o C19, logo em dezembro do ano passado. A caixa de câmbio, um dos pontos mais vulneráveis do carro, recebeu um cuidado especial em suas conexões com o sistema de embreagem e motor cujos testes já comprovaram a eficiência. A Sauber continuará fabricando o próprio câmbio já que o modelo da Ferrari é muito caro e complexo.
O conjunto de mudanças, junto com o motor Ferrari, mais compacto e cerca de 500 giros mais potente, permitiram aos projetistas realizar um trabalho aerodinâmico semelhante ao das grandes equipes, jogando o centro da gravidade mais para baixo. "Dessa forma, tenho certeza de que teremos resultados melhores a partir do qualifying, nas corridas", disse Diniz.
Peter Sauber, sempre comedido em seus prognósticos, já admite que a Sauber não está mais muito atrás da Jaguar (ex-Stewart) e Jordan, com quem espera competir no bloco intermediário. Ferrari e McLaren continuarão fazendo parte do seletíssimo grupo com as maiores chances de chegar ao título. "A Jordan foi até o fim lutando pelo título de 99. Isso nos dá grandes esperanças", disse hoje na apresentação do carro para o ano 2000.
Pedro Paulo Diniz, pronto para iniciar sua sexta temporada na F-1, concorda com Peter Sauber, entretanto, que os excelentes testes de Barcelona, na semana passada, não devem ser encarados com muita confiança. "O bom é que o carro andou muito bem. O fato de conseguirmos andar até mais rápido do que a McLaren é relativo. As equipes fazem testes com tanque cheio, utilizam tipos diferentes de pneus. Os resultados não representam, necessariamente, o que está ocorrendo", conclui. O piloto brasileiro vai agora para a áustria onde fará a última parte de seu trabalho de preparação física para o campeonato.
Para Peter Sauber, uma equipe de Fórmula 1 que quiser chegar ao topo tem que alavancar investimentos. "Dinheiro não compra resultados. Mas sem dinheiro não se pode chegar a lugar nenhum". A Sauber tem 200 funcionários e contratará mais 30 este ano. No começo da semana, Sauber ficou sabendo que a Williams tem 370 empregados. "Não sei se precisamos de tantos. Mas temos que continuar crescendo".
O finlandês Mika Salo vem de uma temporada na Ferrari onde substituiu Michael Schumacher e trabalhou com a mesma versão do motor que a Sauber utilizará este ano. Mas esta não lhe dá nenhuma condição especial na equipe. A equipe não tem ranking de pilotos segundo explicou Peter Sauber. "Em uma situação específica, poderemos fazer isso. Mas nunca no início da temporada". Entusiasmado com a cooperação entre os membros da equipe, Diniz acha que poderá viver um grande momento em 2000. "O carro tem tudo para dar certo. Espero mostrar isso logo na Austrália e no Brasil".