São Paulo, 29 (AE) - Sexta-feira, quando for dada a largada para a Corrida Internacional de São Silvestre, os atletas brasileiros vão-se tornar reféns dos corredores do Quênia. Por mais apurada que tenha sido a preparação para a tradicional prova, os corredores nacionais reconhecem que quem manda nas ruas de São Paulo é Paul Tergat e seus colegas.
"São os quenianos que determinam o ritmo da prova", afirma o paranaense Emerson Iser Bem, que supreendeu Tergat em 1997 ultrapassando o favorito no quilômetro final da prova para conquistar a vitória. "Eles são sempre favoritos."
Iser Bem destaca que de vez em quando um atleta de outro país consegue quebrar a hegemonia do Quênia e vencer a prova, como ele mesmo fez há dois anos. Mas, em condições normais, fica difícil competir contra os melhores do mundo. "Por causa da torcida, do ambiente e da motivação de estar correndo no nosso País, às vezes um brasileiro pode surpreender e ganhar a corrida", destaca Iser Bem.
Desde que os corredores de elite do Quênia começaram a participar da São Silvestre, em 1992, o país africano obteve cinco vitórias na prova masculina (duas com Simon Chemwoiyo e três com Paul Tergat) contra duas do Brasil (Ronaldo da Costa, em 1994, e Iser Bem, em 1997).
Além do alto nível de rendimento dos corredores africanos, o jogo de equipe que os atletas do Quênia costumam praticar na São Silvestre ajuda a fazer a diferença. "Tem sempre dois que disparam na frente na metade da prova para no final o Tergat superar todo mundo e vencer", conta Iser Bem.
Aos brasileiros, é impossível pensar em fazer um jogo de equipe. "Aqui cada um defende um clube e, quando um anda na ponta, é porque tem condições de seguir na frente até o fim e vencer a prova", explica Vanderlei Cordeiro de Lima, medalha de ouro na maratona nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg este ano.
Aos brasileiros nada resta a não ser tentar acompanhar Paul Tergat e ficar atento ao jogo de equipe que os africanos costumam fazer. As corridas de longa distância são o principal esporte do Quênia. "O atletismo é para eles o que o futebol representa para nós", diz Vanderlei.
É com atenção aos quenianos e a empolgação da torcida que os brasileiros vão tentar quebrar a lógica e alcançar a vitória. Emerson Iser Bem, que foi o melhor brasileiro no ano passado, chegando em sexto lugar, teve problemas este ano. Ele foi operado de uma hérnia em abril e há quase dois meses sofreu um pequeno acidente enquanto treinava em Campos do Jordão. Iser Bem trombou com um garoto que brincava com uma bola na pista de atletismo da cidade e sofreu uma lesão na costela. "Não dá para prever como será meu desempenho este ano", diz.
Já Vanderlei Cordeiro está otimista após vencer a maioria das provas de que participou este ano. "É a melhor temporada da minha carreira", avalia. "Quero fechar o ano ganhando a São Silvestre para sonhar com uma medalha de ouro na maratona na Olimpíada de Sydney."

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