SÃO PAULO X PALMEIRAS
CHOQUE-100
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
MARCIO PORTO<br> [email protected] 

Goleiro é sofredor por natureza. Mas o fardo de Fernando Prass, hoje, é mais pesado do que o de Rogério Ceni. A visão que ambos têm de seus times explicam a vitória do São Paulo no clássico.
A começar pelo centroavante, de quem se espera sempre que seja a arma mais letal do time. São de fato.
Mas existe uma diferença colossal entre Luis Fabiano e Henrique, artilheiros dos rivais no ano, com agora 20, e 17 gols, respectivamente.
O 9 do Tricolor decidiu o jogo.
Além do gol em ótimo cruzamento de Hudson, replay do que foi feito contra o Internacional, o Fabuloso mostrou a Prass o que é sofrer, o obrigando a se esticar todo para defender sua cabeçada no primeiro tempo. O goleiro até ficou no chão sentindo pelo esforço. E passou vergonha ao reclamar com o árbitro por não ter aplicado cartão ao atacante por ter desistido de tirar a camisa na comemoração. Foi advertido. Desnecessário...
O fardo de Rogério Ceni é menor porque há muita qualidade técnica no São Paulo, enquanto falta ao Palmeiras. Não foi um Choque-Rei de domínio territorial ou ampla posse de bola, mas da disparidade técnica. Enquanto Ganso, Kaká, Alan Kardec, Luis Fabiano e Michel Bastos tabelavam com beleza, Wesley, Felipe Menezes, Diogo e Henrique transformavam a armação de jogadas num parto. Haja paciência da incansável torcida palmeirense presente no estádio...
Na única chance em que Ceni precisou intervir, ele mostrou porque já há nova corrente contrária à aposentadoria. Com a ponta do pé direito, interceptou a cabeçada de Henrique, evitando o empate.
O fardo de Prass é maior porque seu time se defende mal. São 51 gols sofridos no campeonato. Ironicamente, o último em dobradinha da defesa do rival. Da cabeça de Edson Silva para o pé direito de Toloi, o gol brindou a volta da melhor dupla de zaga do São Paulo. Eficientes.
O fardo de Ceni é muito menor porque enquanto o São Paulo ainda briga pelo título, o Palmeiras segue com risco de rebaixamento.As duas coisas não devem acontecer, mas o são-paulino tem motivos para comemorar.
A Libertadores já bate à porta.
Feliz Rogério Ceni, que saiu vencedor daquele que pode ter sido seu último clássico no Morumbi, sua casa. Pobre Prass.







