São Paulo usa princípio da boa-fé como defesa
Agência Estado
De São Paulo
O presidente do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), Sérgio Zveiter, garantiu ontem que o julgamento do caso Sandro Hiroshi será na próxima semana (possivelmente na quinta-feira), como pretendiam os dirigentes do São Paulo. Vou passar o fim de semana estudando os documentos, afirmou Zveiter. A estratégia de defesa do clube vai-se basear no princípio da boa-fé, dispositivo usado por outro clube paulista, o Santos, em 1996, num caso parecido.
Na época, o diretor do Departamento de Registros da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Luiz Gustavo, o mesmo que autorizou o São Paulo a inscrever Sandro Hiroshi na entidade para a disputa do Brasileiro, causou transtornos ao Santos, acusado de ter utilizado irregularmente o jogador colombiano Usuriaga numa partida contra o Fluminense, no dia 22 de agosto, pela competição nacional.
O passe de Usuriaga pertencia ao Independiente, da Argentina, que o havia emprestado ao Barcelona, de Guayaquil. O clube equatoriano, por sua vez, o repassou ao Santos, sem autorização, segundo dirigentes argentinos. Apesar de possíveis irregularidades, Gustavo garantiu aos santistas que o atleta tinha condições de jogo. O Fluminense perdeu a partida por 1 a 0, protestou e o caso tornou-se polêmico. O então diretor-técnico da CBF, Gilberto Coelho, chegou a dizer que os paulistas poderiam perder cinco pontos.
Os dirigentes do Santos, porém, baseados no princípio da boa-fé, conseguiram provar a não-participação em fraude ou que foram negligentes. No TJD, venceram por 10 votos a 1. Baseado no exemplo do Santos, o São Paulo vai seguir o mesmo caminho. Além de uma série de documentos, que atestam, com a aprovação da CBF, a regularidade na inscrição de Hiroshi, o clube pautará a defesa no princípio da boa-fé, dispositivo geral do Direito e integrante das normas da Justiça Desportiva.
O recurso do clube será apresentado hoje ao TJD. A idéia era apresentá-lo na quarta-feira, mas, por falta de um documento, que chegou ontem às mãos do advogado e diretor de Futebol do São Paulo, José Carlos Ferreira Alves, a decisão teve de ser adiada. No documento, Carlos Eugênio Lopes (diretor-jurídico da CBF) atesta que, se existia uma carta de bloqueio, essa era para beneficiar o São Paulo e não prejudicá-lo, destacou Alves.
O técnico Paulo César Carpegiani quer que a situação seja resolvida logo. Ontem, o ele disse que abandonará o clube se o São Paulo for punido.





