São Paulo - O desgaste físico do São Paulo pela maratona de jogos no Campeonato Brasileiro e na Copa Libertadores piorou ontem, depois da exaustiva viagem de volta do México. Ocorreu de tudo no retorno de Monterrey, onde a equipe foi derrotada pelo Tigres, por 2 a 1, na quarta-feira à noite, mas avançou às semifinais da competição continental. O roteiro inicial, por si só, já era puxado: logo depois do jogo, a delegação deixou o Estádio Universitário e foi para o Aeroporto de Monterrey pegar o avião de volta para o Brasil. O que ninguém contava era que a saída, marcada para às 23 horas locais (1 hora de Brasília) sofresse tantos contratempos e extendesse a duração do vôo em 12 horas.
''Nessas viagens longas, o desgaste físico dos jogadores é grande, porque se uma pessoa comum já sente os efeitos do desconforto físico, da alimentação inadequada e da falta de sono, imagine um atleta profissional'', comparou Marco Aurélio Cunha, médico e superintendente de futebol do São Paulo.
O fato é que o elenco tenta superar os problemas físicos e juntar forças para tentar vencer o Botafogo, domingo, no Morumbi, e recuperar o terreno perdido no Campeonato Brasileiro.
''Nossa sorte é que enfrentamos o Palmeiras, há duas semanas, pela Libertadores. Se tivéssemos de viajar para outro país, os jogadores estariam em condições muito piores agora'', avaliou Marco Aurélio Cunha.
O primeiro problema no vôo do São Paulo ocorreu logo depois do jogo. Sorteados para o antidoping, o zagueiro Lugano e o volante Mineiro demoraram quase uma hora para ''ceder o material'' para o exame e mais quarenta minutos para ir até o aeroporto, onde o restante da delegação os esperava.
Quando os dois finalmente chegaram junto com alguns membros da comissão técnica e jornalistas que acompanharam , outro revés: João Ercílio, conselheiro e diretor de Planejamento e Controle do clube, passou mal e teve de ser retirado do avião. Diabético, o dirigente sofreu hipoglicemia, foi socorrido pelos médicos Marco Aurélio Cunha e José Sanchez e foi levado para um hospital da cidade.
José Sanchez, inclusive, permaneceu em Monterrey para prestar auxílio a João Ercílio. ''Em todas as viagens longas que fazemos, algum problema ocorre, e o médico do clube não é apenas médico dos jogadores, mas da delegação toda'', explicou Marco Aurélio Cunha.
Duas horas depois do programado, o avião deixou Monterrey e levou 4 horas e meia para chegar a Curaçao, primeira parada técnica para abastecimento. Depois de 50 minutos, seguiu para Manaus. Só ao meio-dia de ontem a delegação partiu definitivamente para a capital paulista, na qual chegou por volta das 16 horas. Em função de tantos atrasos, o treino de ontem à tarde foi cancelado e o time só volta a treinar hoje.

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