São Paulo - O futebol é capaz de escrever ironias que nem o mais criativo diretor de cinema conseguiria arquitetar. Quem imaginaria que o reencontro deste sábado no Morumbi, às 21 horas, entre Ney Franco e o São Paulo, pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro, poderia misturar tanto drama e reviravolta? Atualmente no Vitória, o treinador tem a chance de afundar o antigo clube - do qual saiu sob ferozes críticas de parte do elenco - na lama da zona de rebaixamento, aprofundar uma crise que se acentuou gravemente após sua saída e, de quebra, aproximar o time baiano do G4.
Atropelado na última quarta-feira por um Santos que jogou um tempo inteiro com um jogador a menos, o time tricolor mais uma vez se viu asfixiado pelo pesadelo de cair para a Série B. A convulsão gerada pela terceira derrota seguida obrigou ao comando do clube montar uma operação de guerra. O presidente Juvenal Juvêncio entrou em cena e foi ao CT enquadrar os jogadores, o técnico Muricy Ramalho promoveu grande lavagem de roupa suja e antecipou a concentração. Tudo para ver se o elenco consegue abandonar a letargia e mostrar algum poder de reação.
Enquanto isso, Ney Franco é só sorrisos. Acusado por Rogério Ceni de ter deixado "legado zero" no Morumbi, o treinador chegou a Salvador com o Vitória em queda livre e ajudou a recolocar o time nos eixos - já é o sexto colocado e está invicto há sete partidas.
A principal preocupação do São Paulo é não transformar a partida em um acerto de contas com o ex-treinador. Acuado pela série de derrotas, a ordem é pensar apenas na conquista do resultado positivo. "Ele fez um bom trabalho, ganhou títulos, mas o futebol é assim. Se você não ganha acaba saindo. Mas não vejo nada de especial para o jogo, os jogadores não têm comentado nada até porque muitos trabalharam bem com ele. Não vejo essa coisa tão ruim que estão dizendo", afirmou Muricy Ramalho.
Apesar de não ter confirmado, Muricy Ramalho deve fazer algumas mudanças na equipe. Uma certa é a volta do zagueiro Antonio Carlos após cumprir suspensão. Seu parceiro deve ser Rodrigo Caio, enquanto que Paulo Miranda deve voltar à lateral direita. Douglas deve jogar mais avançado e Jadson pode perder lugar para Maicon.

EM SÃO PAULO

São Paulo
Rogério Ceni; Paulo Miranda, Rodrigo Caio, Antonio Carlos e Reinaldo; Wellington, Maicon, Douglas e Paulo Henrique Ganso; Ademilson e Luis Fabiano. Técnico: Muricy Ramalho

Vitória
Wilson; Ayrton, Kadu, Victor Ramos e Juan; Luiz Gustavo, Cáceres, Escudero e Renato Cajá; Marquinhos e Dinei. Técnico: Ney Franco

Árbitro: Anderson Daronco (RS)
Estádio: Morumbi
Horário: 21 horas

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