São Paulo, 19 (AE) - O São Paulo entra amanhã no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com recurso de efeito suspensivo sobre a decisão da Comissão Disciplinar da entidade de punir o clube com a perda dos três pontos conquistados na vitória por 6 a 1 sobre o Botafogo-RJ, no dia 4 de agosto. Os cariocas alegaram, na segunda-feira, que a inscrição do atacante Sandro Hiroshi na CBF não estava regularizada. O atleta também foi suspenso por três jogos.
Segundo a alegação dos dirigentes botafoguenses, a CBF emitiu no dia 13 de julho um documento, chamado de bloqueio, que proibia a participação de Hiroshi no Campeonato Brasileiro por causa de pendências jurídicas na transferência de seu passe do Tocantinópolis, seu clube de origem, ao Rio Branco.
O advogado e diretor de Futebol do São Paulo, José Carlos Ferreira Alves, afirmou, no entanto, que, cinco dias antes, havia recebido um comunicado de Carlos Eugênio Lopes, diretor do Departamento Jurídico da CBF, permitindo a inscrição do atleta, pois, apesar da suspeita de irregularidades, o registro preenchia os requesitos previstos na lei e nas normas orgânicas da entidade.
Em seguida, o registro foi aprovado pelo Departamento Técnico, por meio de uma nota emitida por Maria Lúcia e protocolado no Departamento de Registros. Hiroshi tornou-se, então, o número 26 do São Paulo. Todo o processo está documentado e será apresentado pelo advogado do clube no tribunal. "Só não pude mostrar as provas na comissão, pois fui impedido", disse Alves. "Não me permitiram o direito de defesa."
Hoje à tarde, o advogado estava aguardando uma cópia do documento de bloqueio. Para os cariocas, é a prova da irregularidade paulista. Para o Tricolor, é apenas um registro que preserva o clube de uma possível transferência de Hiroshi para outro clube, o que despertaria o interesse dos dirigentes do Tocantinópolis, que estariam exigindo 30% dos R$ 2,5 milhões que o São Paulo pagou ao Rio Branco, em junho, pela compra do passe do atleta.
De acordo com Salim Milhomem Rodrigues, vice-presidente do Tocantinópolis, Hiroshi assinou um contrato com o clube em 1994, por meio de seu pai, Takeshi Oi. Em 95, firmou outro compromisso, desta vez com o time de Americana, de forma irregular. "O São Paulo está pagando pelo que não fez, mas só assim a verdade pôde aparecer", declarou Rodrigues. Tanto Alves quanto o advogado do Rio Branco, João Zanforlin, contestam a declaração. "O Tocantinópolis tem apenas uma ficha de sócio-atleta", contou Alves. "Eles só querem arrancar o nosso dinheiro", completou Zanforlin. Hiroshi compareceu pela manhã ao CT da Barra Funda. Orientado pelo advogado, não deu entrevistas. No clube, os jogadores estão otimistas e acreditam que o São Paulo não perderá os pontos.
Outros três clubes, porém, entraram na briga judicial. "Será uma vergonha se o critério do TJD não for igual para todos", definiu Ricardo Ribeiro, presidente do Botafogo-SP, que perdeu por 1 a 0 para o Tricolor, no dia 22 de agosto. O clube entrou com recurso no tribunal quatro dias depois do jogo. Vasco e Internacional também seguiram o exemplo do Botafogo. Os gaúchos entregaram o pedido ontem e o Vasco, no dia 30 do mês passado.
Como o recurso só pode ser enviado até cinco dias após à entrega da súmula da partida, alguns times, como Juventude, Coritiba, Guarani e Atlético-MG, não têm direitos legais de recorrer. Os advogados dos clubes, agora, querem que a medida seja revista pelo TJD. O Palmeiras abriu mão do tapetão.
Se não tiver êxito no julgamento do TJD, o São Paulo poderá perder 10 pontos - nove de Botafogo-RJ, Botafogo-SP e Vasco (três de cada um), mais um do Inter, o que deixaria a equipe, hoje, entre as quatro rebaixadas. Os dirigentes paulistas, nesse caso, prometem paralisar o campeonato. Uma reunião entre o presidente do clube, José Augusto Bastos Neto, o advogado Alves e alguns diretores foi convocada, amanhã à tarde, no Morumbi, para definir estratégias radicais de defesa.

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