São Paulo quer superar trauma do "mata-mata"
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de junho de 1999
Por Paulo Guilherme 
São Paulo, 04 (AE) - O São Paulo fez a melhor campanha entre todos os participantes do Campeonato Paulista. O maior número de pontos, maior número de vitórias, o melhor ataque e a melhor defesa. Apesar de adquirir todas as credenciais para ser apontado como favorito para a conquista do título estadual, o time precisa superar, nas semifinais contra o Corinthians, um problema crônico: a queda de produção nos jogos estilo mata-mata.
Nas duas outras competições que disputou este ano sob o comando do técnico Paulo César Carpegiani, o São Paulo demonstrou fragilidade nos jogos decisivos. Na decisão do Torneio Rio-São Paulo, o time perdeu o título para o Botafogo. Empatou por 1 a 1 no Morumbi e perdeu por 3 a 1 no Maracanã. Na Copa do Brasil, a equipe caiu diante do Vasco. Ganhou no Rio por 3 a 2 (tinha feito 3 a 0 no primeiro tempo) e foi derrotado em casa por 3 a 1.
Na fase classificatória do Campeonato Paulista, na qual valia a soma de pontos corridos, o São Paulo foi o melhor. Por isso, ganhou o direito de jogar por dois empates contra o Corinthians.
Dos quatro treinadores que chegam a esta fase semifinal do campeonato, Paulo César Carpegiani foi o que teve as melhores condições para preparar a equipe. Luiz Felipe Scolari, no Palmeiras, teve de quebrar a cabeça para conduzir o time em três competições simultaneas. No Santos, Emerson Leão conviveu com sérios problemas de contusões no seu elenco. No Corinthians, Oswaldo de Oliveira demorou a se firmar no comando da equipe, tendo de ceder espaço durante dois meses para Evaristo de Macedo.
Carpegiani acha que chegou a hora do São Paulo mostrar em campo a maturidade do seu trabalho. "O time está pronto, maduro
os jogadores estão conscientes daquilo que têm de fazer e eu estou muito confiante no que o São Paulo pode demonstrar nestas semifinais", diz Carpegiani. "Agora é hora de comprovar esta boa fase em campo."
O treinador se valeu de todos os tipos de recursos na preparação da equipe para o confronto contra o Corinthians. Isolou seus jogadores em uma concentração fechada no Centro de Treinamentos da Barra Funda. Limitou o acesso de torcedores e da imprensa. Fez treinos secretos para ensaiar jogadas de bola parada e ainda abasteceu seus jogadores de informações sobre o adversário retiradas de um programa de computador que analisou as características de cada jogador do Corinthians.
De posse dos dados, Carpegiani prepara um esquema de marcação para neutralizar as jogadas do Corinthians. Edmílson, Márcio Santos e Bordon vão proteger a área enquanto Jorginho, Alexandre e Carabalí tentarão evitar as tabelas do Corinthians pelo meio-de-campo. Raí, Marcelinho e Serginho vão cuidar da armação das jogadas e França ficará isolado na frente. Carpegiani vai deixar Dodô no banco de reservas.
Para superar o Corinthians, Carpegiani aposta no carisma de Raí, acostumado a comandar a equipe contra o tradicional adversário. "O Raí não está 100% fisicamente, mas a qualidade e a experiência dele serão fundamentais neste confronto." SÃO PAULO - Rogério; Edmílson, Márcio Santos e Bordon; Jorginho, Alexandre, Carabalí, Marcelinho e Serginho; Raí e França. Técnico -- Paulo César Carpegiani. Juiz: Bernd Heynemann, da Alemanha Local: Morumbi, às 16 horas


