São Paulo, 04 (AE) - Depois da derrota por 7 a 0 no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) na quarta-feira, os dirigentes do São Paulo reuniram-se, hoje à tarde, e chegaram à conclusão de que algo será feito para tentar recuperar os pontos perdidos para o Botafogo-RJ. A estratégia, porém, não foi divulgada. Certo apenas é que haverá uma reunião do Conselho Deliberativo, em caráter extraordinário, terça-feira, para definir como será o contra-ataque.
"Apelar à Justiça comum é uma das alternativas", disse o diretor de Futebol, o advogado José Carlos Ferreira Alves. Uma pessoa ligada à cúpula são-paulina garantiu, porém, que os dirigentes estão com um certo medo de tomar esta decisão. Na mesma terça-feira será julgado o recurso do Internacional, que reclama da mesma irregularidade do atacante Sandro Hiroshi. O São Paulo deve, por lógica, perder o ponto do empate por 2 a 2, dia 10.
O São Paulo tem, hoje, 32 pontos. A última partida será quarta-feira, contra o Vitória, em Salvador. A possibilidade de classificação ainda existe. O técnico Paulo César Carpegiani, que hoje foi resolver problemas particulares e não foi ao treino
disse que não abandonará o comando do time. Ele prometera deixar o cargo em caso de derrota no TJD. "Falei em um momento de desabafo e prefiro esquecer isso", afirmou, depois da vitória por 1 a 0 sobre a Ponte Preta, quarta-feira.
Os jogadores comentaram o assunto com cautela, hoje à tarde. Jorginho, por exemplo, que após o jogo contra a Ponte chegou a dizer que não entraria mais em campo, não mudou o pensamento, mas contou que, antes de qualquer decisão, deveria conversar com os demais atletas da equipe. "O jogador brasileiro é omisso e esta é hora de se fazer alguma coisa", disse.
"Não tivemos tempo para conversar", disse Raí, um dos líderes do grupo. Ele prefere esperar por uma posição do clube e diz que é preciso saber se o julgamento no TJD levou em consideração apenas aspectos jurídicos. "Se houve alguma influência política, então, devemos fazer algo."
Força divina - Um padre são-paulino resolveu visitar e abençoar os jogadores hoje à tarde. Aleixo Malaplate, um francês de 75 anos, há 43 no Brasil, falou em injustiça contra a equipe e não acredita em castigo. "Precisamos da bênção do padre e da oração de todos neste momento", disse o goleiro Rogério. O padre, da Paróquia São Luiz Gonzaga, na Vila Santa Maria, pediu serenidade e união a todos. Para superar a situação adversa.
Hoje, os atletas estavam mais alegres, animados pelas batidas dance da hidroginática e, principalmente, pela superação diante da Ponte Preta. O goleiro Rogério, autor de gol da vitória, de falta, lembrou que, quando o time chegou ao Morumbi para o jogo, "os jogadores caíram pelos cantos do vestiário. "Estávamos abatidos e só colocamos o uniforme meia-fora antes da partida", contou. "Depois entramos em campo, nos abraçamos e ganhamos força."

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