São Paulo - Vitória com a equipe reserva sobre o arquirrival, melhor atuação de Paulo Henrique Ganso desde a sua chegada ao clube, titulares descansados, rival sem tradição pela frente. Tudo parece conspirar para o São Paulo corroborar o favoritismo que lhe é atribuído contra o Tigre e confirmar o título da Copa Sul-Americana, cuja decisão começa nesta quarta-feira na Argentina.
A maior preocupação de Ney Franco é evitar que clima de otimismo que tomou conta do grupo se transforme em euforia exagerada e tire o foco justamente no momento de decisão. O treinador já teve uma conversa preliminar com os jogadores para evitar o excesso de confiança e alertou que os rivais virão motivados para tentar definir a classificação logo no primeiro jogo.
Até por isso ninguém se arrisca a dizer que o São Paulo é favorito para a conquista, que será inédita. "Conversamos muito e isso é tratado. O Rogério (Ceni) e o Ney conversam muito com a gente, pedem calma e para pensarmos nos dois jogos que faltam porque não ganhamos nada. De nada adianta acharmos que a coisa está ganha e não darmos conta em campo", explicou o zagueiro Rhodolfo.
Cabe ao capitão, calejado por inúmeras decisões na carreira, dar os conselhos mais preciosos. Rogério Ceni tem tido papel fundamental para moldar um grupo jovem a encarnar o espírito de decisão. O goleiro tem usado os longos períodos de concentração da equipe para conversar com os mais jovens e passar a tranquilidade necessária para a final.
Os cuidados são redobrados quando o assunto é a falta de tradição do Tigre, que passou 20 anos na Série B argentina e tem como conquistas de maior expressão seis títulos da divisão de acesso. O mantra entoado por Ney Franco e repetido à exaustão pelos jogadores é que o adversário tem qualidade e precisa ser respeitado. "Não vejo que sejamos superiores. São jogadores experientes, a média de idade deles é de 29 anos e formam um time alto, de média de 1,85m, e sabem explorar isso. Eles foram para Bogotá e eliminaram o Millonarios, temos que encarar esses números", alertou o técnico.
Outro ponto que preocupa é o nervosismo exagerado diante da possibilidade dos jogadores caírem em uma possível guerra de nervos e entrarem na catimba dos adversários. Se conseguir controlar os nervos e não cair na catimba rival, o caminho para o inédito título estará mais perto.

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