A direção do São Paulo rebateu ontem as acusações dos dirigentes do Botafogo de que o tricolor ainda teria jogadores com idade alterada, os chamados ‘‘gatos’’. Por meio de uma nota oficial, o São Paulo desafiou o presidente Ney Palmeiro e o presidente do Conselho Deliberativo do Botafogo, Carlos Augusto Montenegro, a apontarem os ‘‘gatos’’ e ameaçou processá-los por calúnia, injúria e difamação.
‘‘O São Paulo jamais pactuou com condutas fraudulentas, tendentes a alterar a idade de seus atletas’’, diz a nota. Sobre o episódio envolvendo o atacante Sandro Hiroshi, no ano passado, o comunicado lembra que o clube foi inocentado. Ficou comprovado que o atleta estava com a documentação adulterada muito antes de jogar no São Paulo.
A briga entre os dois clubes começou no ano passado e originou toda a confusão – entre o Gama, a CBF e o Clube dos 13 – que ameaçou paralisar o futebol brasileiro neste semestre. Após ser goleado por 6 a 1 pelo São Paulo, o Botafogo entrou no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) alegando que o atacante Sandro Hiroshi estaria inscrito irregularmente.
A adulteração na idade ficou comprovada e o TJD, numa interpretação polêmica, deu os três pontos para o Botafogo, o que salvou a equipe carioca do rebaixamento. Por isso, o Gama entrou na Justiça Comum e conseguiu, na semana passada, ser incluído na Primeira Divisão deste ano.
Agora, a rivalidade foi reacesa por causa do volante Djair. Sem receber há dois meses, o jogador está se recusando a entrar em campo. Se atuar pelo Botafogo na Copa João Havelange, ele não poderá jogar por outro time na mesma competição. Segundo os dirigentes cariocas, o São Paulo teria assediado o jogador, que jogou no Morumbi em 1996 e já trabalhou com o técnico tricolor, Levir Culpi, no Cruzeiro.
‘‘Não tivemos nenhum contato com o jogador e nem ele nos procurou’’, negou ontem o presidente do São Paulo, Paulo Amaral. O comunicado ainda acusa os dirigentes cariocas de ‘‘falta de ética’’ e cobra uma dívida referente à transferência do zagueiro Válber.
Após terem dado declarações agressivas no fim de semana, os dirigentes do Botafogo recuaram nas ameaças que fizeram a diretoria do São Paulo. Foi deixada de lado a lista de ‘‘gatos’’ do elenco são-paulino, que os botafoguense declararam ter em seu poder. ‘‘Não sei de lista nenhuma, pergunte ao Mauro Nei (presidente do Botafogo)’’, afirmou o presidente do Conselho Deliberativo do clube, Carlos Augusto Montenegro, irritado.
No sábado, Montenegro tinha garantindo que estava investigando o elenco do São Paulo. Os dirigentes também adotaram a cautela em relação à denúncia ao Clube dos 13, de aliciamento do meia Djair. De concreto, apenas a suspensão dos contratos de Djair e Reidner, que também abandonou o clube.
Ontem, um recurso de Reidner pedindo direitos sobre o seu passe foi negado pela 55ª Vara Cível do Rio.

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