São Paulo - O caminho da paz no São Paulo será pavimentado pelas vitórias. Para consegui-las, porém, os são-paulinos terão de resolver os conflitos internos. O ambiente, neste momento, é péssimo. Parte dos jogadores não aguenta mais o técnico Paulo César Carpegiani e não faz mais questão de esconder, entre eles Rivaldo. Outros não estão muito preocupados com o rendimento no começo do Campeonato Brasileiro, até porque não estarão aqui quando ele acabar. Há ainda uma terceira vertente, que deseja acabar com o início de crise.
Dagoberto faz parte deste último grupo. Ontem, o atacante, no São Paulo desde 2007, estava visivelmente abalado durante a entrevista coletiva, que diferentemente das últimas que ele concedeu foi tensa. O jogador sentiu a necessidade de cobrar dos companheiros uma reação imediata contra o Fluminense, neste domingo, em São Januário. Ele se disse envergonhado com o momento da equipe e repetiu por diversas vezes a palavra união, o que deixou claro como está o ambiente entre os jogadores.
''Temos de parar de dar desculpas. É o momento de falar menos e trabalhar mais'', disse Dagoberto, em uma nítida resposta ao zagueiro Alex Silva. Como este sabe que não vai ficar, tem batido forte nos dirigentes. ''Só vamos passar por tudo isso com união, é o momento de nos abraçarmos. Cada um tem de ser homem porque no momento bom é fácil fazer todas as coisas, mas você mostra quem é nessa hora''.
A tranquilidade fora de campo que os jogadores necessitam para trabalhar bem também parece distante. A diretoria ainda não se entendeu em relação ao episódio que culminou na permanência de Carpegiani, mesmo depois que a cúpula do futebol são-paulino havia optado pela demissão do treinador. O novo vice-presidente de futebol, João Paulo de Jesus Lopes, antigo diretor de futebol, garantiu ontem que isso nunca foi discutido entre ele, o presidente Juvenal Juvêncio e o então vice-presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco.
Mas o ex-diretor de futebol não conseguiu sustentar a sua versão da história depois de ser questionado sobre a confirmação da demissão que havia sido feita por Leco. João Paulo confirmou o encontro na última sexta, que até então não havia existido, mas negou que os três saíram da reunião com uma definição sobre o futuro de Carpegiani.

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