São Paulo - A expulsão de Luis Fabiano, aos 13 minutos de jogo contra o Tigre, devolveu à diretoria do São Paulo um problema que ela já achava ter contornado: controlar o gênio aparentemente indomável do atacante. O cartão vermelho infantilmente recebido por um dos jogadores mais experientes no elenco irritou não só o presidente Juvenal Juvêncio como também seus homens de confiança mais próximos - João Paulo de Jesus Lopes (vice de futebol) e Adalberto Baptista (diretor de futebol). Multar o atacante ainda é um assunto que será discutido pelos dirigentes, embora a tendência é que nenhuma sanção financeira seja aplicada.
Quando questionado pela reportagem se o atacante continua sendo uma bomba-relógio que preocupa o clube, uma das pessoas mais fortes na atual gestão apenas sorriu e devolveu: "Ele tem média de 0,9 gol por jogo". Na sequência, acabou concordando que o jogador atrapalhou os companheiros no estádio La Bombonera, em Buenos Aires.
Juvenal Juvêncio, por sua vez, pediu calma para analisar o caso. "Isso (multa) é uma decisão que precisa ser tomada de cabeça fria. São vários fatores que influenciam; há harmonia nesse grupo e a proximidade da outra final", ponderou o presidente, que não quer criar um clima de animosidade justamente antes da última partida da temporada e que pode dar um título ao São Paulo após quatro anos.
Vale lembrar que Luis Fabiano já foi multado neste ano por sua expulsão contra o Atlético Mineiro, pelo Campeonato Brasileiro, e chegou a gravar um vídeo dizendo que sua indisciplina tinha chegado ao limite e sabia o que fazer para mudar. Os altos e baixos emocionais do jogador também são vistos com preocupação pelos dirigentes, que o consideram um caso perdido no que diz respeito à mudança de atitude em campo.
O técnico Ney Franco deve assumir um papel importante para tranquilizá-lo e terá uma conversa reservada para apontar onde ele pode melhorar. "O Luis é um atleta que se entrega muito, que ajudou muito, principalmente no Campeonato Brasileiro. Ele já falou que é um dos piores dias da vida dele. A uma semana da decisão, não é hora de criar situações desfavoráveis", disse o treinador, que já procura uma solução para o ataque.
Bom companheiro
Dentro do grupo, o ambiente é de apoio. O artilheiro é um dos jogadores de maior voz de comando e geralmente puxa as brincadeiras nos treinos ao lado de Lucas. Até por isso ninguém fará declarações mais críticas.
Enquanto isso, Luis Fabiano encerra o ano melancolicamente após uma série de lesões que comprometeram seu aproveitamento. Goleador máximo da equipe e letal dentro da área, agora ele poderá acompanhar seus companheiros no último jogo da temporada apenas como espectador. Goste ou não, precisará saber que é única e exclusivamente por culpa dele mesmo.

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